XP: ‘Kit Brasil’ se consolida com apostas em Bolsa e desvalorização do dólar
Pesquisa da XP aponta que a estabilização externa e a expectativa de corte na Selic impulsionam apostas na desvalorização do dólar e na recuperação da Bolsa, mesmo diante de cautela com a economia a longo prazo The post XP: ‘Kit Brasil’ se consolida com apostas em Bolsa e desvalorização do dólar app

Image: InfoMoney
Os ventos que sopraram em abril sobre as gestoras de fundos multimercados presentes na plataforma da XP consolidaram a tese do “Kit Brasil”, com apostas em bolsa, câmbio e juros, trazendo retornos de performance que, se mantido o ritmo, poderá consolidar o mês como um dos melhores já registrados, segundo a pesquisa divulgada pela XP nesta terça-feira (28) com 21 gestoras que possuem mandatos multimercados.
A pesquisa indica que o Índice de Hedge Funds da Anbima (IHFA) subiu cerca de 3% até 20 de abril, após queda de 4,56% desde o final de fevereiro até 20 de março. Segundo os analistas de fundos Clara Sodré, Luiz Felippo, Pedro Frota e José Pini, essa valorização, em um espaço de tempo tão curto, está ligada diretamente ao cenário macroeconômico global, e diz mais sobre regime de mercado do que sobre mudança de posicionamento.
Juros: Consenso de corte na Selic
A aposta no afrouxamento monetário de curto prazo no Brasil é unânime entre os gestores. Segundo o levantamento, 100% dos entrevistados projetam um corte de 25 pontos-base na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta terça e quarta-feira (28 e 29).
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Como reflexo prático dessa expectativa, as carteiras mostram que 62% dos gestores seguem aplicados em juros nominais — ou seja, apostando na queda das taxas —, enquanto as posições tomadas (que ganhariam com a alta) foram completamente zeradas. No segmento de juros reais, 71% também mantêm posições aplicadas.
Apesar do otimismo para a decisão desta semana, o horizonte mais elástico inspira cautela. A pesquisa aponta a “continuidade da elevação nas expectativas para a taxa Selic ao final de 2026” , que agora é projetada em 13% pelo mercado. Esse prêmio de risco reflete “um ambiente global mais incerto e a possibilidade de que choques externos, especialmente ligados à dinâmica de commodities e energia, possam influenciar a trajetória de inflação e política monetária”.
No cenário internacional, 95% dos gestores esperam a manutenção dos juros nos Estados Unidos, enquanto uma minoria de apenas 5% ainda prevê uma redução de 25 pontos-base.

Câmbio: Aposta contra o dólar
O mercado de câmbio se consolidou como o principal vetor da convicção macro dos gestores. O destaque do mês de abril fica para as posições vendidas em dólar, com 100% das gestoras consultadas apostando na desvalorização da moeda americana.
Segundo os analistas da XP, este é o “maior nível de consenso registrado em toda a série histórica da pesquisa”.
Do outro lado da balança, a confiança na força do real permanece robusta. A pesquisa indica que 91% dos gestores estão posicionados na valorização da moeda brasileira.
A manutenção dessa aposta na desvalorização do dólar, que foi mantida pelos gestores “mesmo sob pressão” durante as oscilações de março, “foi um dos principais vetores de retorno para esses gestores” na recuperação de abril, segundo a avaliação dos analistas.

Bolsa: Apetite ao risco descola da visão econômica local
A Bolsa brasileira voltou a atrair os fundos multimercados. As posições compradas em Bolsa Brasil saíram de 52% em março para 71% em abril, o maior nível para ações locais desde setembro de 2025, segundo a pesquisa. Esse aumento de convicção, quando combinado com a estabilização do ambiente externo, foi essencial para o desempenho positivo no mês.
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Publicado por InfoMoney