Vale (VALE3) tem lucro maior, mas custos mais altos pesam e podem pressionar ações
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A Vale (VALE3) divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) mostrando alta anual de 36% do lucro líquido e reversão do prejuízo em relação ao 4T25, a US$ 1,89 bilhão. Contudo, uma análise mais detida do mercado mostra números abaixo do esperado para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), com destaque para a alta de custos. Com isso, antes da abertura do mercado, os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) registrava queda de cerca de 1%.
A XP ressalta que que a Vale reportou resultados do 1T26 marginalmente abaixo do esperado, com Ebitda ajustado proforma de US$ 3,9 bilhões, 3% abaixo do consenso.
Apesar das implicações positivas na receita, a XP vê o desempenho de custos hoje impactado por alguns vetores negativos, que foram os principais responsáveis pelo Ebitda abaixo da projeção e do consenso.

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O C1/t (custo da mina ao porto e excluindo compras de terceiros/tonelada) de soluções de minério de ferro ficou em alta de 12% na base anual (+11% ante o 4T25), impactado pela apreciação do real e por efeitos de turnover, com os níveis atuais de brent/real sugerindo o topo da faixa do guidance de 2026 de US$ 20,0-21,5/t da Vale como uma premissa de custo mais razoável. Além disso, houve custos unitários marginalmente mais altos em todas as linhas (caso de distribuição, royalties e compras de terceiros).
Por outro lado, os custos de frete caíram 3% anualmente, refletindo a efetividade da estratégia de afretamento de longo prazo da Vale e a menor exposição a preços spot; além de um desempenho robusto nas operações de metais básicos.
“Ventos contrários de custo (principalmente por fatores macro) adicionaram pressão ao desempenho financeiro da Vale, o que vemos como o ponto mais fraco dos resultados”, apontam.
Dito isso, reforçam que: (i) os preços de minério de ferro/cobre/níquel seguem em patamares mais elevados, (ii) a estratégia de volumes de minério de ferro continua sustentando prêmios resilientes, e (iii) as operações de metais básicos seguem melhorando.
Mais positivo, o Bradesco BBI interpreta os números como neutros do ponto de vista de reação de mercado, mas positivos sob a ótica de execução operacional e consistência da tese.
“No minério de ferro, a companhia conseguiu entregar controles de custos razoáveis, mesmo em um contexto de pressão cambial, de combustíveis e fretes, ao mesmo tempo em que mantém volumes e preços realizados saudáveis”, avalia.
Já em metais básicos, a dinâmica segue bastante construtiva, aponta o BBI, com redução relevante dos pontos de equilíbrio de Ebitda, maior contribuição de subprodutos e preços mais elevados no mercado internacional, reforçando a qualidade do portfólio da Vale Base Metals (VBM).
Enquanto isso, o JPMorgan reforça que os resultados foram ligeiramente abaixo do JPMorgan e do consenso, mas que compraria as ações em caso de queda.
A Vale reportou Ebitda 3,3% abaixo da projeção do JPMorgan, sendo que a empresa já havia divulgado previamente os volumes e preços de produção e, portanto, a pequena diferença se explica principalmente pelos custos e pelas receitas de subprodutos.
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