Vale (VALE3): impacto de conflito no Irã é neutro para minério de ferro, diz diretor
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A mineradora Vale (VALE3) avalia que a guerra do Irã teve um impacto neutro sobre a oferta global de minério de ferro, uma vez que a produção de aço permanece estável, afirmou o vice-presidente executivo Comercial e Desenvolvimento da Vale, Rogério Nogueira, durante conferência com investidores nesta quarta-feira.
“No Oriente Médio, especificamente, a produção de aço também está estável, porque eles estão mantendo a produção com base nos estoques de sucata e de pelotas. Isso ocorre apesar de uma contração na produção de aço bruto do Irã”, disse o executivo, ressaltando que a produção de aço naquele país foi interrompida.
“Mas o restante dos nossos clientes na região continua produzindo”, acrescentou.
O executivo explicou ainda que no Bahrein, uma importante planta de pelotização foi desativada diante de uma dificuldade para receber pellet feed, com a matéria-prima sendo desviada para outros mercados, principalmente China e Ásia em geral. Mas essa oferta adicional, disse Nogueira, foi compensada pela ausência de exportações do Irã de minério de ferro.
“Portanto, nossa visão sobre o mercado, especificamente em decorrência do conflito, é neutra. Houve um impacto neutro sobre a oferta global de minério de ferro por causa do conflito no Irã”, afirmou.
Nogueira disse ainda que, com o conflito e a alta dos preços do petróleo, a curva de custos foi deslocada para cima, entre US$5 e US$10 por tonelada, com algumas empresas menos competitivas sendo impactadas, o que acaba dando algum suporte aos preços atuais do minério de ferro.
A Vale espera ainda que o mercado de pelotas permaneça estável, considerando o saldo líquido entre oferta e demanda por pellet feed de alto teor. “Assim, no próximo trimestre, esperamos que os prêmios das pelotas fiquem estáveis ou apresentem até uma leve alta”, afirmou.
No caso específico da Vale, a realização de parada para manutenção em Usina de Omã aproveitando o momento do conflito faz parte do cronograma. “A parada para manutenção nem Omã neste momento não afeta a produção do ano, só foi antecipada entre trimestres”, afirma o CFO, Marcelo Bacci.
Na China, Nogueira afirmou que a produção de aço bruto está estável, de acordo com dados de institutos independentes. A utilização dos altos-fornos, segundo o executivo, está em cerca de 90%, o que a Vale considera “extremamente positivo e elevado”, disse ele.
“Ainda acreditamos e vemos a continuidade das exportações anualizadas de aço (pela China) em um nível de 100 milhões de toneladas em 2026. Infraestrutura e manufatura compensam um setor imobiliário fraco, que continua sendo, de fato, um setor desafiador para a China”, afirmou.
Fora da China, Nogueira acrescentou que a Vale vê um mercado geral estável, apesar de variações por região. “No geral, vemos equilíbrio entre oferta e demanda, e a perspectiva de preços também é equilibrada”, concluiu.
Quando questionada sobre a produção e as vendas no Oriente Médio potencialmente impactadas pelo conflito no Irã, a administração afirmou que a demanda segue estável.
“A parada para manutenção nem Omã neste momento não afeta a produção do ano, só foi antecipada entre trimestres”, afirma o CFO, Marcelo Bacci.
Custos caixa C1
“O maior efeito nos custos caixa C1 do minério de ferro é a sazonalidade”, afirma o CFO, citando também aumento do custo de petróleo. O diretor afirmou que o segundo trimestre ainda pode ficar mais próximo do observado no primeiro, mas que há expectativas de que o guidance, de US$ 21/t, seja batido a partir da melhora do contexto global.
Para o mercado geral, o aumento de custo tem ficado entre US$ 10 por tonelada a US$ 5/t. A média de US$ 10/t tem acontecido para produtores de custo mais alto, o que pode afetar cerca de 50 milhões de toneladas de minério de ferro.
“A proporção de aumento para nós foi bem menor do que para quem está com o custo mais baixo”, diz Bacci, citando o aumento em cerca de US$ 5/t para a Vale. “É por isso mesmo que o preço subiu, pelo aumento de custos, porque o mercado precisa do volume e precisa incentivar que a produção venha”, diz.
O custo caixa C1 do minério de ferro totalizou US$ 23,6/t, 12% maior na comparação anual, principalmente impactado pela apreciação do real ante o dólar.
Dívida líquida expandida
De acordo com a Bacci, a tendência é que o valor vá para baixo de US$ 15 bilhões de dólares, após ficar em US$ 17 bilhões no 1º tri por sazonalidade.
“Ano passado, toda a remuneração ao acionista foi feita em forma de dividendos. Nesse momento, deverá haver equilíbrio entre recompra e dividendos”, afirma CFO.
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