Super Quarta: como o mercado pode reagir às decisões do Copom e do Federal Reserve?
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acontece nesta quarta-feira (29) a partir das 18h30 (horário de Brasília), no mesmo dia da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, que acontecerá um pouco antes, às 15h.
A famosa Super Quarta, a segunda deste ano, acontece em um contexto parecido com o da reunião anterior, com guerra no Oriente Médio e expectativa de cortes da taxa de juros aqui no Brasil em 0,25 ponto percentual (p.p.), de 14,75% para 14,5% ao ano, ainda que exista certa divisão no mercado sobre o tema.
Assim como o contexto parecido, a estimativa dos economistas é de que o tom da reunião do Copom seja semelhante ao da decisão anterior, devendo adotar um tom de cautela em meio ao forte cenário de incerteza.
Para a XP, por sinal, o tom hawkish (mais duro, mostrando preocupação com a inflação) deve ser ainda além da reunião passada, reforçando a necessidade de uma condução cautelosa da política monetária para mitigar efeitos de médio prazo decorrentes dos choques inflacionários. “Mas não a ponto de sinalizar uma possível interrupção do ciclo de calibração no curto prazo”, aponta.
A reação dos mercados também deve seguir a linha de cautela. “Pensando de 45 dias atrás para agora, a situação da guerra não melhorou muito em termos do que que vai acontecer para os principais ativos econômicos”, comenta Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
Para Cruz, empresas mais sensíveis ao risco, como do setor de construção, do varejo e empresas mais alavancadas, podem ter algum tipo de alívio. “Mas, claro, estamos em temporada de balanços, daqui a pouco tudo isso vai começar a se misturar”, ressalta.
Empresas sólidas
De acordo com Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o cenário pós-decisão do Copom deve reforçar a preferência por empresas com balanço robusto e menor dependência de alavancagem.
Para o economista, o efeito líquido no mercado acionário tende a ser assimétrico. “Juros em queda sustentam múltiplos, mas o canal de crédito permanece restritivo, o que limita uma reprecificação mais agressiva do Ibovespa”, explica.
“A leitura dominante não é direcional, mas de dispersão”, argumenta. Conforme o analista, a movimentação deve ir em direção a um câmbio sensível ao diferencial de juros global, renda fixa exigindo gestão ativa de curva e crédito mantendo viés de seletividade. O principal risco, para ele, não é o nível da taxa, mas a persistência de juros reais elevados por mais tempo do que o mercado hoje embute.
De maneira geral, para Guilherme Abbud, CEO da Persevera, se as expectativas se confirmarem e a queda de juros for mantida por aqui, o mercado deve continuar animado. “O mercado retomou a visão de que a guerra não é suficiente para incluir, ao mesmo tempo, crescimento e inflação”, explica.
Para o economista, o contexto geopolítico não deve ser o suficiente para levar a um cenário de estagflação ou de corrosão do lucro das empresas, ou de necessidade de repensar a locação que tem fugido um pouco do dólar.
Moedas e juros
Com relação ao Fomc, a expectativa é de que a última reunião de Jerome Powell no comando marque a manutenção da sua taxa de juros de referência na faixa de 3,50% a 3,75%, onde está desde dezembro. Ainda assim, a reunião e a coletiva de imprensa de Powell após o anúncio da decisão poderão definir questões importantes, inclusive se as autoridades acenarão com a possibilidade de aumentos nos juros ainda este ano caso a inflação acelere.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o dólar pode se fortalecer caso o comunicado do Fed seja mais firme, mostrando preocupação com inflação. ” Isso se o tom for no sentido de fechar a porta para cortes e, em linha como o último, sinalizar que pode mesmo vir a aumentar juros caso o ambiente assim o exija”, explica.
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