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Sell-off na B3: o que fez o Ibovespa cair 10 mil pontos em menos de duas semanas?

Santander vê o selloff recente menos como um sinal de alerta estrutural e mais como um episódio típico de ajuste de fluxo The post Sell-off na B3: o que fez o Ibovespa cair 10 mil pontos em menos de duas semanas? appeared first on InfoMoney.

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28 de abril de 2026·3 min de leitura
Sell-off na B3: o que fez o Ibovespa cair 10 mil pontos em menos de duas semanas?

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Em menos de duas semanas, uma queda de cerca de 10 mil pontos. De quase bater os 200 mil pontos, chegando a uma máxima de 199.355 pontos em 14 de abril, o Ibovespa fechou a sessão da última segunda-feira (27) a 189.579 pontos, na mínima do dia, e com uma baixa de 4,90% ou de 9.776 pontos.

A bolsa paulista continua mostrando saída líquida de recursos estrangeiros nos últimos pregões. O saldo em abril segue positivo, em R$ 10,1 bilhões até o dia 23, mas até o dia 15 havia uma entrada líquida de R$ 14,6 bilhões. Tal capital foi responsável pelos últimos recordes do Ibovespa, que se aproximou da marca inédita de 200 mil em meados do mês.

Para a equipe da XP Investimentos, a combinação de um micro mais forte nos Estados Unidos com um rali de alívio nas bolsas globais, em meio ao arrefecimento das tensões no Oriente Médio, parece estar reduzindo a intensidade dos fortes fluxos estrangeiros.

O Santander reforça em relatório de estratégia que o sell-off recente do mercado brasileiro foi provocado principalmente por rotação global de fluxo, e não por deterioração dos fundamentos domésticos.

Os estrategistas avaliam que, desde meados de abril, houve saída líquida de cerca de R$ 5 bilhões de investidores estrangeiros da bolsa brasileira, mas que o movimento coincidiu com forte valorização de bolsas asiáticas ligadas à tecnologia, como Taiwan e Coreia do Sul.

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No período, esses mercados avançaram de forma relevante, enquanto o MSCI Brasil acumulou desempenho negativo.

Para o Santander, esse comportamento reflete uma rotação tática global, impulsionada pelo renovado otimismo com inteligência artificial e semicondutores, e não uma reavaliação negativa dos fundamentos brasileiros. A casa destaca que o sell-off ocorreu mesmo em um contexto de forte alta do petróleo, variável que tradicionalmente sustenta mercados emergentes exportadores de commodities como o Brasil.

Esse descolamento entre o desempenho das commodities e o comportamento da bolsa brasileira sugere, na avaliação do banco, que parte relevante do mercado global passou a precificar uma normalização mais rápida dos riscos geopolíticos no Oriente Médio. Com isso, o petróleo teria se beneficiado de fatores de oferta no curto prazo, enquanto os ativos de risco migraram para teses estruturais de crescimento, especialmente no setor de tecnologia.

O relatório também chama atenção para a recente abertura dos spreads de crédito corporativo no Brasil. Segundo o Santander, esse movimento tem caráter predominantemente técnico, influenciado por menor liquidez e ajustes de posicionamento, e não indica aumento sistêmico do risco de crédito das empresas brasileiras.

Na leitura estratégica, o banco avalia que o ajuste recente nos preços dos ativos foi excessivo frente às condições macroeconômicas locais, abrindo espaço para uma reprecificação positiva caso o fluxo estrangeiro volte a se estabilizar. O nível atual da bolsa já embute um cenário bastante conservador, o que torna o mercado mais sensível a qualquer sinal de reversão do movimento global de rotação.

Apesar da volatilidade no curto prazo, o Santander reforça que o Brasil segue bem posicionado dentro do universo de mercados emergentes, tanto em termos de valuation quanto de qualidade dos ativos.

(com Reuters)

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