Santander Brasil frustra no 1T com alta da inadimplência e analistas mantêm cautela
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O Santander Brasil (SANB11) apresentou um resultado abaixo das expectativas no primeiro trimestre de 2026, com lucro líquido recorrente — indicador que exclui efeitos extraordinários — de R$ 3,8 bilhões, queda de 7% frente ao 4T25 e de 1,9% na comparação anual, segundo avaliações do Goldman Sachs e do JPMorgan.
O número ficou cerca de 6% abaixo do consenso de mercado, refletindo principalmente a deterioração da qualidade dos ativos e um desempenho ainda fraco da receita com crédito (Goldman Sachs).
A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE, Return on Equity), métrica que mostra quanto o banco gera de lucro para cada real de capital próprio, recuou para 15,7%, ante 17,2% no trimestre anterior e 17,0% no 1T25, conforme levantamento do Goldman Sachs. Apesar do resultado mais fraco, o JPMorgan avalia que o desempenho já era amplamente esperado, dado o histórico recente de desempenho inferior do Santander em relação a Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4).
Receita segue pressionada
A margem financeira líquida (NII, Net Interest Income), que representa o ganho do banco com juros após o custo de captação, caiu 1% em base anual, ainda que tenha avançado 3% na comparação trimestral, segundo o Goldman Sachs. O desempenho seguiu pressionado pela margem com mercado, linha ligada às operações de tesouraria, que permaneceu negativa em R$ 800 milhões, apesar de melhora frente ao prejuízo observado no fim de 2025, apontam os bancos.
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Já a margem com clientes, relacionada diretamente às operações de crédito, cresceu 5% em relação ao 1T25, mas recuou 1% no trimestre, refletindo compressão de spreads — diferença entre juros cobrados e pagos —, apesar da expansão das carteiras médias, conforme apontam os dois bancos.
A carteira de crédito, que mede o saldo total de empréstimos concedidos, apresentou queda de cerca de 1% no trimestre e crescimento limitado em base anual, entre 2% e 3%, com retração concentrada em pessoas físicas, compensada parcialmente pelo avanço do segmento de crédito ao consumo, destacam o Goldman e o JPMorgan. Excluindo efeitos cambiais, o crescimento trimestral teria sido de aproximadamente 1%, sinalizando uma dinâmica ainda fraca.
Inadimplência volta a subir
O principal ponto negativo do trimestre foi a piora da inadimplência. O índice de créditos inadimplentes superiores a 90 dias (NPL acima de 90 dias) subiu 20 pontos-base no trimestre, para 3,3%, acumulando alta de 50 pontos-base em 12 meses, de acordo com o Goldman Sachs.
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O movimento foi puxado tanto por pessoas físicas, cujo NPL avançou 30 pontos-base, quanto por pequenas e médias empresas (PMEs), onde a piora foi mais intensa, de 50 pontos-base, levando o indicador a 6,0%, segundo o JPMorgan. Ambos os bancos destacam um ambiente ainda desafiador para famílias de menor renda e empresas menores.
A formação de inadimplência — volume de novos créditos entrando em atraso — atingiu R$ 7,2 bilhões no trimestre, enquanto as provisões para perdas com crédito somaram R$ 6,3 bilhões, alta de 4% no trimestre, elevando o custo do risco para 4,5% (Goldman Sachs; JPMorgan).
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