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Por trás da alta das bolsas globais, há chips, IA e pouca participação do Brasil

Apenas 44 empresas do S&P 500 renovam máximas, enquanto Samsung, SK Hynix, Petrobras, PRIO e Vale concentram boa parte da alta em seus mercados The post Por trás da alta das bolsas globais, há chips, IA e pouca participação do Brasil appeared first on InfoMoney.

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29 de abril de 2026·3 min de leitura
Por trás da alta das bolsas globais, há chips, IA e pouca participação do Brasil

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A recente máxima histórica do índice S&P 500 esconde uma realidade que tem tirado o sono dos gestores brasileiros: a alta global está concentrada num punhado de ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial. Apenas 44 das 500 empresas do índice americano estão renovando recordes individuais. O resto, para todos os efeitos, ficou para trás.

O fenômeno se repete com força ainda maior no exterior. Na Coreia do Sul, duas empresas — Samsung Electronics e SK Hynix — respondem sozinhas por cerca de metade do índice de referência local. No Brasil, o trabalho de sustentar a bolsa ficou concentrado em três nomes: Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3) e Vale (VALE3). Em todos esses casos, são poucas empresas movendo muito dinheiro.

Para discutir o que esse desequilíbrio significa para quem investe, o programa Aftermarket, comandado por Lucas Collazo, reuniu Andrew Rider, da WHG; Christian Keleti, da Alpha Key; e Felipe Guerra, da Legacy Capital.

A conversa, transmitida direto de Omaha, nos Estados Unidos, durante a cobertura do encontro anual de acionistas da Berkshire Hathaway, expôs as oportunidades e os riscos embutidos nessa concentração extrema.

O efeito mais visível dessa onda aparece no ETF iShares de Mercados Emergentes (EEM), conhecido no Brasil pela sigla IEM. Taiwan e Coreia do Sul, somados, pesam 45% do fundo.

Não são Brasil nem China que vêm levantando o EEM nas últimas semanas, mas a disparada dos semicondutores asiáticos — movimento que descolou completamente esses fundos do desempenho do mercado brasileiro no mês.

Legacy mantém aposta em chips, mas reconhece risco

Guerra avalia que essa configuração, na superfície, parece favorecer quem faz seleção de ações, mas exige cuidado.

A Legacy carrega há tempos posições em memória, semicondutores, centros de dados e energia — temas que considera consensuais e ainda promissores. Reduziu a exposição durante o choque da guerra para diminuir a oscilação da carteira e voltou a montar posição depois. “Acho que ainda tem muito ganho para ser gerado, mas também tem muita oscilação”, afirmou.

A maior preocupação de Andrew Rider, no entanto, não é nem a guerra nem o preço da gasolina, mas a inflação que a própria corrida da inteligência artificial está provocando.

“No curto prazo, está sendo super inflacionário”, disse o gestor da WHG. O preço da memória triplicou, cabos para centros de dados dobraram e eletrônicos de consumo passaram a repassar custos.

O temor é que esse choque se some ao do petróleo e ganhe contornos persistentes.

Brasil

No Brasil, o problema é outro. Não são celulares e computadores que preocupam, mas combustível e fertilizantes. Cerca de 30% dos fertilizantes consumidos no mundo passam pelo Estreito de Ormuz, ponto sensível no Golfo Pérsico.

A safra atual e a chamada safrinha estão garantidas porque o adubo foi importado antes do conflito. Mas, se o impasse se estender, o preço dos alimentos pode pressionar a inflação justamente em ano pré-eleitoral.

A pesquisa Focus já capturou parte dessa deterioração: a projeção para o IPCA do próximo ano subiu — algo que não aconteceu em outros países.

Guerra atribui o desconforto a uma soma de credibilidade arranhada com o problema continental do transporte de combustível no Brasil.

Mesmo assim, ele defende que o Banco Central, hoje sob comando de Gabriel Galípolo, está fazendo o trabalho certo: deve manter o ritmo de cortes de 0,25 ponto percentual e seguir com cautela.

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