PGR arquiva pedido para investigar Gilmar por fala sobre Zema e homossexualidade
Procuradoria conclui que pedido de desculpas do ministro do STF afasta lesão a direitos coletivos; caso envolvia sugestão de que orientação sexual seria "acusação injuriosa" The post PGR arquiva pedido para investigar Gilmar por fala sobre Zema e homossexualidade appeared first on InfoMoney.

Image: InfoMoney
A Procuradoria-Geral da República oficializou, nesta segunda-feira (27), o arquivamento de uma ação que pedia a investigação do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.
O pedido questionava uma declaração do ministro em que sugeria que a homossexualidade poderia servir como “acusação injuriosa” contra Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do Novo ao Planalto.
A PGR avaliou o episódio e concluiu que o comentário (feito originalmente ao site Metrópoles sobre a criação de “bonecos do Zema como homossexual”) não justificava o prosseguimento do caso. O órgão levou em conta que o próprio magistrado admitiu que sua fala foi infeliz e se desculpou abertamente sobre o ocorrido.
“Assim, não se verifica, no contexto apresentado, conduta que configure lesão efetiva e atual a direitos coletivos da população LGBTQIA+”, disse Ubiratan Cazetta, procurador da República.
A decisão de descartar o requerimento barrou a iniciativa do advogado e professor Enio Viterbo, conhecido por utilizar redes sociais para exigir prestação de contas e questionar o comportamento de ministros do STF.
Conforme a análise de Cazetta, o episódio envolvendo Gilmar não apresentou evidências básicas de desrespeito significativo a direitos coletivos, nem indícios de crime ou motivo para que o Ministério Público Federal interviesse.
Ocupando a chefia de gabinete de Paulo Gonet na PGR, o procurador trabalha com um antigo parceiro de negócios de Gilmar no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). Vale lembrar que a nomeação e a permanência de Gonet no posto contaram com a articulação direta de Gilmar e Alexandre de Moraes junto ao presidente Lula.
Inquérito
As declarações de Gilmar ao portal Metrópoles, que foram publicadas na última quinta-feira (23), intensificaram as críticas ao Supremo, principalmente pelas redes sociais. Na ocasião, o ministro explicava por que decidiu solicitar que o ex-governador mineiro passasse a ser investigado no inquérito das fake news.
O início da investigação se deu a algo que Zema compartilhou em suas redes sociais: uma gravação ironizando Gilmar e Dias Toffoli. No vídeo em questão, ambos aparecem representados como bonecos manipulados em meio às repercussões envolvendo o Banco Master.
“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no Estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso? É isso que precisa ser avaliado”, disse Gilmar, em entrevista.
Pouco depois da publicação, Gilmar Mendes se retratou nas plataformas de redes sociais. “Não tenho receio de reconhecer um erro. Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema”, disse o ministro em seu perfil no X (ex-Twitter).
Ainda no mesmo post, o ministro afirmou pretender combater o que classifica como uma rede de ataques e calúnias voltada a descredibilizar o tribunal, grupo no qual Zema estaria inserido. A petição que visa colocar o ex-governador de Minas sob investigação no inquérito das fake news permanece aguardando avaliação.
Artigo original
PGR arquiva pedido para investigar Gilmar por fala sobre Zema e homossexualidade
Publicado por InfoMoney

