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Messias precisa de metade dos senadores que evitam declarar voto para garantir STF

Escolhido por Lula tem 25 votos a favor e enfrenta 22 contrários; bloco com 34 senadores sem posição pública deve definir resultado no plenário The post Messias precisa de metade dos senadores que evitam declarar voto para garantir STF appeared first on InfoMoney.

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28 de abril de 2026·4 min de leitura
Messias precisa de metade dos senadores que evitam declarar voto para garantir STF

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A dois dias da sabatina no Senado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, ainda não tem os votos necessários para garantir sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e depende de avançar sobre o bloco de senadores que evitam se posicionar publicamente. Nos últimos dias, o indicado intensificou a ofensiva para reverter o cenário, com acenos ao Congresso, ajustes no discurso e contatos diretos com senadores.

Levantamento do GLOBO mostra que Messias soma 25 votos favoráveis e enfrenta 22 contrários. Outros 34 parlamentares — sendo 16 que não responderam e 18 que afirmaram que não iriam se posicionar — concentram o poder de decisão. Para atingir os 41 votos necessários no plenário, o indicado precisará conquistar ao menos 16 desses nomes, o equivalente a cerca de metade desse bloco.

MDB e PSD, dois dos principais partidos de centro que apoiaram a agenda do governo Luiz Inácio Lula da Silva até aqui, concentram fatias relevantes desse grupo.

No MDB, dos 9 senadores, seis já indicaram voto favorável, enquanto três ainda não responderam ou evitaram se posicionar. No PSD, que tem a segunda maior bancada da Casa, com 13 nomes, apenas quatro declararam apoio, enquanto sete seguem sem posição pública ou dizem que não vão se manifestar. Dois são contrários: Mara Gabrilli (SP) e Carlos Viana (MG).

Entre os nomes monitorados pelo governo estão senadores com histórico de voto pragmático, como Omar Aziz (PSD-AM), Nelsinho Trad (PSD-MS), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Fernando Dueire (PE), além de emedebistas como Marcelo Castro (PI), que evitam cravar posição.

O padrão se repete, em menor escala, em siglas como PP e União Brasil. No PP, 70% da bancada ainda não declarou voto — entre eles, Tereza Cristina (MS) e Laércio Oliveira (SE). Já no União Brasil, os três senadores não se posicionaram. Do outro lado, a oposição aparece mais consolidada: só o PL concentra 12 votos contrários. Três nomes da sigla não se posicionaram.

Entre oposicionistas, a resistência não se limita ao nome de Messias, mas também ao modelo de indicação ao Supremo. O senador Marcos Pontes (PL-SP) defende mudanças nos critérios de escolha:

— Idealmente, a indicação de um ministro do STF deveria considerar idade mais avançada, critérios claros de currículo mínimo, mandato de dez anos e escolha técnica, não política, dentro das próprias carreiras jurídicas. Coloquei diversas PECs nesses três anos, mas não tivemos assinaturas suficientes ainda.

Esse desenho reforça a avaliação, entre os senadores, de que a disputa se dá majoritariamente dentro da própria base e menos na reversão de votos da oposição.

Neste terceiro mandato de Lula, tanto MDB quanto PSD indicaram, juntos, seis ministros.

Interlocutores do governo afirmam que parte dos senadores desses partidos já sinalizou tendência de voto favorável em conversas reservadas, mas evita antecipar posição publicamente diante do custo político e da influência do comando da Casa.

Sob reserva, três senadores que hoje figuram no grupo de indecisos relataram ao GLOBO que pretendem votar favoravelmente, mas optaram por não tornar a posição pública antes da sabatina.

Fora do Senado, o indicado também não enfrenta resistência organizada. Lideranças evangélicas têm atuado na defesa de seu nome, a exemplo do pastor Estevam Hernandes, da Renascer em Cristo, enquanto outras optaram pela neutralidade. O pastor Silas Malafaia afirmou não atuar contra a indicação:

— Tenho uma vertente diferente dele, mas não estou atuando contra. É problema deles lá. Não é porque é do Lula que vou bombardear. Não vou entrar nesse jogo.

Resistência de Alcolumbre

A falta de posicionamento público está diretamente ligada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Apesar de ser peça central na tramitação, o presidente da Casa ainda não recebeu Messias, e a ausência do encontro passou a concentrar as preocupações de aliados do governo.

A avaliação é que uma sinalização mais clara de Alcolumbre poderia dar previsibilidade ao desfecho e reduzir a margem de incerteza entre senadores que hoje evitam assumir posição. A interlocução esfriou após a participação de Messias em um jantar organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), adversário político de Alcolumbre no Amapá, o que agravou o ruído na reta final.

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