Mesa de decisões do Fed está pronta para “briga de família” que Warsh diz querer
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28 Abr (Reuters) – O indicado para chefiar o Federal Reserve, Kevin Warsh, diz querer uma ‘boa briga de família’ na mesa de formulação de política monetária quando assumir o banco central dos EUA.
E uma briga, ou pelo menos uma forte resistência, pode ser exatamente o que ele terá se tentar realizar os cortes acentuados nas taxas de juros que o presidente Donald Trump espera de seu indicado quando o mandato de liderança do presidente do Fed, Jerome Powell, terminar em 15 de maio.
Das 19 autoridades do Fed que definem as taxas de juros e que se reunirão na terça e quarta-feira para o que provavelmente será a última reunião de política monetária sob a liderança de Powell, cerca de metade tem inclinação ‘hawkish’, o que significa que estão mais preocupadas com a perspectiva de aumento da inflação do que com o enfraquecimento do mercado de trabalho e, portanto, dificilmente apoiarão cortes nas taxas.
Cerca de um terço é solidamente centrista, e apenas três defenderam reduções de curto prazo nos custos de empréstimos. O diretor do Fed Stephen Miran, que faz parte dessa minoria, deve deixar o cargo para abrir espaço para Warsh ingressar na Diretoria do Fed.
Espera-se que o Comitê Bancário do Senado avance, na quarta-feira, com a indicação de Warsh, que seguiria então para consideração do plenário, aumentando a chance de que o advogado e financista de 56 anos de idade esteja pronto para presidir a reunião do Fed de 16 e 17 de junho.
Veja como Warsh e alguns de seus futuros novos colegas no Fed se posicionam em relação a temas da conjuntura econômica.
Mercado de trabalho
‘Acho que, de modo geral, a economia está funcionando perto do pleno emprego… se os norte-americanos que querem um emprego conseguem encontrá-lo, pela métrica do Fed, estamos em pleno emprego’, disse Warsh aos parlamentares em sua audiência de confirmação na semana passada.
Ele pode ter poucos argumentos para apresentar na mesa sobre esse assunto. Embora a criação mensal de empregos tenha caído no último ano, o mesmo aconteceu com o número de pessoas que procuram emprego, principalmente porque o número de imigrantes diminuiu drasticamente e a população nascida nos EUA continua envelhecendo e se aposentando. Essas mudanças mantiveram um teto na taxa de desemprego, que recuou ligeiramente em março para 4,3%.
Isso não quer dizer que não haja preocupação com a fragilidade do mercado de trabalho, especialmente entre os membros mais ‘dovish’ (menos duros no combate à inflação) do Fed.
‘Continuo vendo fraqueza no mercado de trabalho que o deixa vulnerável, a começar pelos dados que mostram números baixos de contratações e de pessoas que perdem seus empregos’, disse o diretor do Fed Christopher Waller no início deste mês.
Mas, por enquanto, a maioria dos formuladores de política monetária do Fed vê o mercado de trabalho como equilibrado e está atenta aos dados de inflação para saber o que fazer com a política monetária.
Inflação
Warsh disse em sua audiência de confirmação que achava que a inflação ‘melhorou um pouco no último ano’, uma opinião contrária à de muitas autoridades do Fed, que apontam as novas tarifas de importação do governo Trump no ano passado como um motivo para a estagnação do progresso da inflação e que dizem estar preocupados com a guerra do Irã e os preços do petróleo acentuadamente mais altos.
A inflação subjacente, medida pela variação anual do núcleo do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), foi de 3% em fevereiro e os economistas estimam que tenha subido para 3,2% em março. Estima-se que a variação de 12 meses no Índice de Preços PCE tenha atingido 3,5% em março, ante uma meta de 2% do Fed.
Warsh disse na semana passada que acredita que as medidas de médias aparadas — que eliminam as variações mais acentuadas de preços para obter uma imagem da direção que a maioria dos preços está tomando — são melhores indicadores da tendência da inflação. A leitura de médias aparadas do Fed de Dallas foi de 2,3% em março.
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