Maioria no mundo acredita em pelo menos 1 de 6 mitos médicos comuns e já desmentidos
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Durante anos, a teoria predominante sobre desinformação em saúde era reconfortantemente simples: tratava-se de um problema marginal, restrito a uma pequena parcela da população — os altamente partidários, os menos escolarizados, os excessivamente conectados à internet. Um novo e abrangente levantamento global desmonta essa teoria.
O Relatório Especial do Barômetro de Confiança Edelman 2026: Confiança e Saúde, com base em respostas de mais de 16.000 pessoas em 16 países, constatou que sete em cada dez pessoas no mundo acreditam que pelo menos uma de seis afirmações de saúde amplamente desmentidas é verdadeira.
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As afirmações falsas às quais os entrevistados responderam “acredito que isso é verdade” incluem:
- Proteína animal é mais saudável (32%)
- Flúor na água é prejudicial ou não traz benefícios à saúde (32%)
- O risco das vacinas infantis supera os benefícios (31%)
- Leite cru é mais saudável do que o pasteurizado (28%)
- O uso de acetaminofeno/paracetamol durante a gravidez causa autismo (25%)
- Vacinas são usadas para controle populacional (25%)
“É um conjunto de fatos bastante impressionante”, disse Richard Edelman, CEO da empresa global de comunicação responsável pela pesquisa de cinco anos, à Fortune. A suposição comum, segundo ele, era que os céticos da ciência de saúde convencional “são aqueles que realmente têm dúvidas sobre verdades médicas, e isso não é verdade. São todos”.
Não é um problema marginal
Os dados desmontam sistematicamente todas as explicações demográficas sobre por que as pessoas acreditam no que acreditam. Entre pessoas com diploma universitário, 69% sustentam ao menos uma dessas crenças — praticamente o mesmo que os 70% entre aqueles sem diploma.
As crenças atravessam o espectro político: 78% dos entrevistados de direita acreditam em pelo menos uma delas, assim como 64% dos de esquerda.
O padrão se mantém em diferentes faixas etárias e, de forma marcante, é mais acentuado em países em desenvolvimento do que em países desenvolvidos. Os Estados Unidos, há muito considerados o epicentro da desinformação em saúde, nem sequer aparecem na metade superior dos países analisados.
“A realidade é que há muitas divisões na forma como as pessoas pensam sobre saúde, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento e em diferentes níveis de escolaridade”, afirma o relatório. “Em vez de buscar uniformidade de crenças, é mais eficaz investir em resultados e impacto em saúde.”
Pesquisadores da Edelman, que acompanham os dados desde o lançamento do relatório específico sobre saúde em 2021, descreveram um processo de erosão social ao longo de anos que alimenta essa tendência.
“Existem medos — e esses medos são cronicamente ignorados ou pouco abordados”, disse Dave Bersoff, vice-presidente executivo e chefe de pesquisa do Edelman Trust Institute. “Isso começa a levar à erosão do tecido social. Surge a polarização, a polarização leva à paralisia, a paralisia leva ao ressentimento, o ressentimento leva ao isolamento.”
O resultado, segundo ele, é um endurecimento crescente na forma como as pessoas se relacionam com quem está fora do seu grupo — um fortalecimento do tribalismo que torna cada vez mais difícil confiar em quem pensa diferente.
“Acho que muito do que estamos vendo hoje é esse tipo de endurecimento do nosso tribalismo”, acrescentou Bersoff, “essa ideia de que não posso confiar em ninguém que não seja como eu, e então qualquer pessoa diferente de mim — em crenças, valores ou origem cultural — passa a ser imediatamente alvo de desconfiança, porque acredito que está tentando tirar algo que eu mereço, ou que qualquer ganho dela vem às minhas custas. É uma forma muito negativa e hostil de interagir com o mundo, e isso explica muito do que vemos hoje.”
O colapso da confiança
A crise da desinformação agrava uma outra emergência relacionada: uma queda acentuada na confiança das pessoas em sua própria capacidade de tomar decisões sobre saúde.
A confiança pública em encontrar informações confiáveis e tomar decisões informadas caiu 10 pontos percentuais em apenas um ano, para apenas 51% — com quedas estatisticamente significativas em 14 dos 16 países analisados.
Enquanto isso, a confiança na mídia para cobrir temas de saúde com precisão permanece 11 pontos abaixo do nível pré-covid, em apenas 46% globalmente.
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