Kone compra TK Elevator (ex-ThyssenKurpp) e cria líder global de elevadores
Aquisição em dinheiro e ações torna a finlandesa líder global em elevadores, amplia presença nos EUA e deve enfrentar forte escrutínio antitruste The post Kone compra TK Elevator (ex-ThyssenKurpp) e cria líder global de elevadores appeared first on InfoMoney.

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(Bloomberg) — A Kone Oyj concordou em adquirir a TK Elevator por € 29,4 bilhões (R$ 172 milhões), incluindo dívidas, transformando a companhia finlandesa na líder dominante do setor e aumentando a pressão sobre suas rivais.
A Kone anunciou um acordo em dinheiro e ações pela TK Elevator, que é controlada pela Advent e pela Cinven, em comunicado divulgado na quarta-feira que confirmou reportagem anterior da Bloomberg News.
Trata-se de uma das maiores saídas de private equity já registradas na Europa e do maior negócio da história da Finlândia, praticamente dobrando o valor de mercado da Kone, hoje em cerca de € 30 bilhões, e catapultando a empresa acima de concorrentes como a Otis Worldwide Corp., dos EUA, e a suíça Schindler Holding AG.

As ações da Kone caíram até 5,7% em Helsinque, a maior queda em mais de dois meses, apagando os ganhos registrados mais cedo.
A Kone tem interesse na TK Elevator há anos. Ela fracassou em uma tentativa anterior de comprar o negócio em 2020, quando se associou à CVC Capital Partners Plc antes de perder a disputa para Advent e Cinven.
O acordo dará à Kone maior exposição ao mercado dos EUA, onde a TK Elevator tem presença estabelecida em instalação e manutenção de elevadores. A Kone tem uma presença mais forte na Ásia, de onde atualmente obtém cerca de 35% de sua receita.
Para Advent e Cinven, a venda representa uma saída relevante em um momento em que gestoras de private equity estão sob pressão para devolver recursos a seus investidores. Mas a fatia em ações, maior que o usual, pode complicar o quadro.
Advent e Cinven receberão um pagamento em dinheiro de € 5 bilhões como parte da venda. O restante será pago em ações da Kone, que elas terão de vender aos poucos, em blocos, após um período de lock-up de 180 dias. Isso as deixa expostas a choques de mercado decorrentes de tensões geopolíticas em andamento e pode prolongar o prazo para uma saída completa do negócio.
Outras firmas de private equity têm enfrentado dificuldades para vender alguns ativos em meio à volatilidade dos mercados em 2026. A Bloomberg News já havia noticiado que o processo de venda da Thinkproject, pela EQT AB, e da Unit4, pela TA Associates, está entre aqueles que encontraram obstáculos. Em outro caso, a Hg adiou a oferta pública inicial (IPO) da Visma.
Kone e TK devem se tornar a maior fabricante de elevadores do mundo
Philippe Delorme, presidente e CEO da Kone, afirmou que a aquisição da TK Elevator vai acelerar a “mudança estratégica da companhia em direção a serviços e modernização”.
A transação pode enfrentar barreiras antitruste, e a Kone pode ter de considerar a venda de ativos para convencer os reguladores, com executivos estimando que esse processo pode levar até 18 meses.
“Fizemos muito trabalho e estamos confiantes de que a transação receberá todas as aprovações regulatórias necessárias, preservando a lógica estratégica da combinação”, disse Delorme em teleconferência. “Estamos preparados para trabalhar de forma construtiva com os reguladores para garantir total conformidade.”
Ele se recusou a dar detalhes quando questionado por analistas e jornalistas, mas afirmou que, desta vez, a Kone tem “uma compreensão muito melhor” do alvo, após ter trabalhado de perto com os vendedores.
“Estamos confiantes porque sabemos exatamente o que precisa ser feito”, disse Delorme. “Estamos alinhados com os líderes do outro lado, com respeito e boa disposição para fazer as coisas funcionarem em conjunto.”
O que diz a Bloomberg Intelligence:
“O acordo da Kone pela TKE, de € 29,4 bilhões — acima do esperado — eleva a barra de execução… A lógica industrial é forte — ampliando exposição aos EUA, densidade de serviços e potencial de recuperação de margem em relação à Otis —, mas a diluição significativa, o aumento da dívida e o prolongado risco antitruste deixam menos espaço para erro. A análise antitruste pode forçar desinvestimentos e alongar o prazo de aprovação, arriscando destruição de valor ao reduzir sinergias e limitar o potencial de alta do negócio.”
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