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Investidores dos EUA reforçam aposta no Brasil e começam a trocar “value” por “beta”

Segundo o BBI, o Brasil permanece como aposta consenso e overweight (acima da média) nas carteiras dedicadas a emergentes, com desempenho já 10 pontos percentuais superior ao índice de países emergentes no acumulado do ano The post Investidores dos EUA reforçam aposta no Brasil e começam a trocar “v

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InfoMoney
29 de abril de 2026·4 min de leitura
Investidores dos EUA reforçam aposta no Brasil e começam a trocar “value” por “beta”

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Um novo ciclo de entusiasmo com Brasil está se consolidando entre investidores dos Estados Unidos. Depois de montar posições robustas em ativos de “valor” e mais defensivos, fundos estrangeiros agora buscam aumentar o beta — isto é, a sensibilidade ao mercado — em sua exposição ao País. A avaliação é de estrategistas do Bradesco BBI, com base em rodada de reuniões recentes com grandes gestores internacionais.

Segundo o relatório, o Brasil permanece como aposta consenso e overweight (acima da média) nas carteiras dedicadas a emergentes, com desempenho já 10 pontos percentuais superior ao índice de países emergentes no acumulado do ano. Mas, diante de um cenário macro ainda favorável, a discussão começa a migrar de “se” vale ter Brasil para “como” capturar mais alta.

Esse movimento vem acompanhado de um aumento dos fluxos ativos e de uma ênfase maior em seleção cuidadosa de ações. Entre os papéis mais citados pelos estrangeiros como formas de ganhar beta e exposição à recuperação local estão XP (BDR: XPBR31), B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11), Nubank (BDR: ROXO34), Sabesp (SBSP3) e Assaí (ASAI3).

Na ponta oposta, há redução tática em Mercado Livre (BDR: MELI34), à espera de um ponto mais claro de inflexão de lucratividade após anos de escolha explícita por crescimento com margens pressionadas.

Real forte, juro alto e “hedge anti-tech”

Do ponto de vista macro, a combinação de câmbio, juros e geopolítica mantém o Brasil numa posição peculiar. Para os gestores americanos, o real ainda tem espaço para apreciar, sustentado por fortes entradas de capital, maior posicionamento em ativos brasileiros e um pano de fundo global de petróleo forte e dólar mais contido.

Esse aspecto é crucial: historicamente, metade do retorno das ações brasileiras em dólar vem do comportamento da moeda.

O juro doméstico segue no centro das conversas, mas com foco deslocado para a taxa terminal, e não mais apenas no ritmo dos próximos cortes. A casa projeta Selic em 12,5% ao fim de 2026 – na ponta inferior do consenso e ainda abaixo do que precifica a curva de juros. O desafio para o crescimento, porém, continua sendo a combinação de juros elevados com alto endividamento das famílias, o que limita o impacto de estímulos do governo.

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Na visão dos estrangeiros, o Brasil se consolidou como um “anti-tech” global: um mercado de ações barato em termos relativos, intensivo em setores cíclicos, com empresas de valor e alto carregamento de juros reais.

Em um momento em que a discussão sobre disrupção via inteligência artificial domina o debate nos EUA, emergentes que ofereçam boa liquidez, menor exposição direta aos riscos de IA e, ao mesmo tempo, algum potencial de se beneficiar indiretamente da cadeia da tecnologia ganham espaço – caso brasileiro que, segundo o BBI, ainda está em fase inicial de adoção, mas com promessa de ganhos de produtividade à frente.

Estrangeiro é o comprador marginal em 2026

Os números de fluxo ajudam a explicar o apetite. Estimativas do Bradesco BBI indicam que, dos R$ 63 bilhões de ingresso líquido de capital estrangeiro na Bolsa no ano, cerca de 40% veio de estratégias passivas, principalmente ETFs. Os 60% restantes já são dinheiro ativo, de gestores selecionando ações diretamente.

A tendência, na avaliação dos analistas, é que a parcela passiva migre cada vez mais para mandatos ativos, o que aumenta a importância do stock picking e reforça o papel do investidor estrangeiro como comprador marginal do mercado brasileiro em 2026.

Nesse contexto, algumas histórias específicas se destacam. BTG Pactual aparece como posição core e praticamente consensual entre casas com foco em América Latina. Nubank, negociando a cerca de 15 vezes o lucro projetado para 2027, começa a ser visto como ponto de entrada interessante, após um ciclo de forte crescimento e melhora de rentabilidade.

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