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Ibovespa: está cedo demais para comprar na queda? JPMorgan tem cautela no curto prazo

Banco americano segue tendo o Brasil como principal aposta na América Latina, mas não recomenda "compra agressiva" The post Ibovespa: está cedo demais para comprar na queda? JPMorgan tem cautela no curto prazo appeared first on InfoMoney.

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30 de abril de 2026·4 min de leitura
Ibovespa: está cedo demais para comprar na queda? JPMorgan tem cautela no curto prazo

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O JPMorgan reiterou sua visão positiva para ações brasileiras na região da América Latina, mantendo o Brasil como overweight (acima da média) em sua alocação regional.

Ainda assim, mesmo em meio à queda recente do Ibovespa, o banco alerta que o momento pede seletividade e paciência, diante da combinação de incertezas eleitorais, ritmo mais lento de cortes de juros e preços elevados do petróleo, que tendem a manter o mercado em um movimento mais lateral no curto prazo.

Segundo o relatório, o Brasil continua sendo o caso de investimento preferido na América Latina graças a um conjunto de fatores estruturais e conjunturais: fluxo de capital estrangeiro, ciclo — ainda que gradual — de afrouxamento monetário e uma base corporativa que segue apresentando bons níveis de rentabilidade.

Para o JPMorgan, o país também se beneficia do contexto geopolítico global, uma vez que a América Latina, e especialmente o Brasil, tem sido vista como uma região relativamente protegida de conflitos internacionais e com exposição favorável a commodities energéticas.

“O conflito com o Irã permitiu que o Brasil — assim como boa parte da América Latina — passasse a ser visto como porto seguro. A região (excluindo Chile e Peru) é exportadora líquida de petróleo, está distante dos focos geopolíticos, apresenta uma boa história de resultados e ainda negocia a valuations razoáveis”, aponta.

O banco chama atenção, no entanto, para o fato de que o mercado brasileiro já passou por uma correção recente e voltou a níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. O Ibovespa passou dos 199 mil pontos em meados de abril para negociar a 186 mil pontos no último pregão do mês. Apesar disso, os estrategistas avaliam que ainda não é o momento de “comprar a queda” de forma agressiva, uma vez que o ambiente doméstico segue marcado por volatilidade política e menor impulso vindo do ciclo de resultados das empresas.

Do ponto de vista doméstico, é possível que o mercado siga mais lateralizado, dado que o ritmo de cortes de juros é lento e o período eleitoral já começou. Além disso, aponta que a queda recente do mercado coincidiu com o forte retorno das Mag 7 às máximas históricas, movimento que, após a correção prévia, permitiu alguma retomada dos fluxos para emergentes. Em termos de posicionamento, o Brasil continua sendo o maior overweight dentro de emergentes, posição que inclusive aumentou após a guerra.

“Gostamos mais da tese do Brasil do que de qualquer outra na região, e o país segue como um dos nossos top picks em mercados emergentes, mas o mercado deve permanecer de lado enquanto o petróleo continuar subindo. Por outro lado, uma eventual resolução do conflito abriria espaço para maior tomada de risco, beneficiando o mercado”, aponta.

No cenário macroeconômico, o JPMorgan revisou suas expectativas de cortes na taxa Selic até o fim de 2026. A projeção passou a ser de uma redução acumulada de cerca de 275 pontos-base, levando a taxa básica para aproximadamente 12,25%, em meio a uma atividade doméstica mais resiliente e pressões inflacionárias associadas ao petróleo. A valorização recente do real, estimada em cerca de 8%, ajuda a sustentar o processo de flexibilização monetária, mas não elimina a cautela do Banco Central.

A equipe de estratégia liderada por Emy Shayo destaca que o calendário eleitoral tende a pesar sobre o desempenho relativo da bolsa brasileira, lembrando que, historicamente, o mercado costuma apresentar performance mais fraca nos seis meses que antecedem as eleições. Com a disputa presidencial desenhando um cenário polarizado, semelhante aos ciclos anteriores, os estrategistas esperam que os preços dos ativos sigam sensíveis ao noticiário político ao longo dos próximos meses.

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Do ponto de vista setorial e de ações, o JPMorgan segue privilegiando empresas brasileiras consideradas “criadoras de valor”, com retorno sobre patrimônio (ROE) consistentemente acima do custo de capital.

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