Gestor da Polo Capital conta o que já chamava atenção nos números do Banco Master
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Foi uma anotação marcada no Outlook, entre 14h e 16h, que deu início a uma detalhada autópsia do Banco Master feita por um investidor de mercado. Conrado Rocha, sócio da Polo Capital, passou cerca de seis semanas imerso em documentos públicos do banco e do Banco Central e encontrou, segundo ele, uma teia de fundos em cascata, reavaliações suspeitas de ativos e até manipulações de preços em ações — tudo à disposição de quem quisesse olhar.
O ponto de partida foi a Oncoclínicas (ONCO3). A Polo apostava na queda das ações da empresa de oncologia desde a sua estreia em bolsa, em 2021, quando o Master injetou R$ 1,5 bilhão na companhia em meados de 2024.
No balanço seguinte, Rocha identificou que a Oncoclínicas havia aplicado boa parte dessa quantia a 130% do CDI — uma taxa que, segundo ele, só poderia estar em um lugar. “Você não precisava dizer que aquele 130% do CDI estava no Master. Ao dizer que a companhia tomou a decisão de aplicar os seus recursos no Banco Master”, afirmou.
A conversa aconteceu no Stock Pickers, podcast comandado por Lucas Collazo. Rocha está há 16 anos na Polo Capital, gestora fundada em 2002. Entrou em 2010 para a área de retaguarda de crédito, migrou para ações em 2011, onde ficou 14 anos, e desde o fim de 2024 dedica-se exclusivamente ao time de crédito da casa.
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O que primeiro chamou atenção no balanço do Master — que não é um banco listado em bolsa — foram os erros de português. Depois vieram os números. Do lado das obrigações, toda a captação do banco estava concentrada em CDBs, sem letras financeiras ou outros instrumentos usuais.
Do lado dos ativos, mais de 50% estavam alocados em “fundos de investimento e títulos privados” e em precatórios, quando o padrão de um banco brasileiro é concentrar recursos em títulos públicos e carteira de crédito.
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Os bilhões em precatórios que não eram precatórios
Ao abrir as notas explicativas do balanço anual de 2023, Rocha afirma que encontrou uma linha de R$ 8 bilhões rotulada como “precatórios”. A leitura detalhada mostrou que apenas R$ 200 milhões eram, de fato, precatórios — ou seja, dívidas do poder público com mérito já julgado na Justiça.
Os outros R$ 7,8 bilhões eram o que advogados chamam de “pré-precatórios”, direitos que ainda dependem de decisão final.
“Esse balanço aqui tem um monte de coisa que eu nem sei qual o preço, ainda vai ser julgado”
Para entender o que havia nos chamados “títulos privados”, Rocha recorreu ao Relatório do Conglomerado Prudencial, documento que o Banco Central obriga as instituições financeiras a divulgar e que consolida as participações do banco, inclusive em fundos.
Foi ali que, segundo ele, “abriu-se um buraco”: o Master aparecia como cotista de dezenas de fundos, nos quais estavam alojadas participações em empresas como Gafisa (GFSA3), Light (LIGT3), Aliança e GetNinjas, entre outras compras feitas pelo banco nos anos anteriores.
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