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Espresso Outliers: O que está acontece com o crédito privado?

Neste episódio do Espresso Outliers InfoMoney, Clara Sodré, analista de fundos da XP, explica o que está acontecendo com o crédito privado no Brasil e no mundo — e o que o investidor deve fazer agora The post Espresso Outliers: O que está acontece com o crédito privado? appeared first on InfoMoney.

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29 de abril de 2026·3 min de leitura
Espresso Outliers: O que está acontece com o crédito privado?

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Entra ciclo, sai ciclo, e o investidor volta para a mesma pergunta: o que fazer com o crédito privado da carteira? Esse foi o tema do Espresso Outliers, apresentado pela analista de fundos da XP, Clara Sodré.

Nos últimos 12 meses, essa dúvida ganhou força diante de mudanças regulatórias e de um cenário global marcado por juros mais altos e maior volatilidade.

Antes de responder se faz sentido ou não ter crédito privado na carteira, vale entender o que está acontecendo com esse mercado no Brasil e no mundo.

O ponto de partida é a pandemia. A injeção maciça de liquidez, os juros próximos a zero nas economias desenvolvidas e os estímulos fiscais relevantes daquele período diminuíram os spreads – a diferença de taxa entre o título público e o investimento em crédito privado.

A consequência foi um ciclo inflacionário global, que exigiu uma mudança de regime monetário. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou as taxas de zero para patamares acima de 5%, elevando o custo de capital global.

Como resultado, o spread se abriu. “A abertura de spreads tende a ocorrer quando o mercado olha para o que está acontecendo no cenário macro e começa a precificar mais risco à frente, e exige um pouco mais de taxa para investir”, afirma Clara.

O crédito privado no Brasil tem características próprias?

Sim, e são características importantes. Clara alerta que o mercado brasileiro é mais concentrado, com forte dependência do risco soberano e alta correlação entre ativos: quando há um movimento fiscal relevante, o spread abre, o câmbio se move e a bolsa reage junto.

O mercado brasileiro de crédito privado também se diferencia do global por ter maior risco jurídico.

“Enquanto nas economias desenvolvidas o tempo médio de recuperação de crédito leva um ano, no Brasil é quatro anos. Aqui a taxa média de recuperação de crédito é de 18%, menor que os 80% registrados em países como Estados Unidos e Reino Unido. Isso implica maior incerteza e exige maiores taxas para você investir na renda fixa aqui”, afirma a analista.

Nos últimos anos, o crédito no Brasil foi impactado por uma combinação de fatores. Em 2023, mudanças regulatórias e alta demanda por renda fixa fecharam o spread. Mais recentemente, os juros mais pressionados e alguns eventos de crédito em grandes empresas tornaram o ambiente mais seletivo.

“O comportamento local é consistente com o cenário global. Ou seja, não é um estresse sistêmico, mas um mercado mais maduro e que tem revisões mais constantes de risco”, resume Clara.

Concentração ou diversificação: o que os dados mostram?

Para ilustrar o impacto das escolhas de alocação, Clara apresenta no episódio um gráfico com a performance de dezembro de 2024 a dezembro de 2025.

“Temos aqui duas carteiras com 5% de emissão em emissores que tiveram eventos de crédito recentemente, mostrando como a concentração, mesmo de 5%, de um ativo de crédito na sua carteira, pode gerar desvios relevantes de retorno”, afirma Clara.

“O ponto central não é só a ocorrência do evento, e sim como isso se transmite para o portfólio. Em estruturas mais concentradas, isso impacta diretamente no retorno de longo prazo. Já em carteiras mais pulverizadas, como de fundos, o efeito tende a ser administrável ao longo do tempo.”

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