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Emirados Árabes fora da Opep enfraquece cartel? Quem ganha e quem perde?

País quer mais liberdade para aumentar produção fora das amarras do grupo, que estipula cotas; perda do poder do cartel de definir preços do petróleo atende a desejos de Donald Trump The post Emirados Árabes fora da Opep enfraquece cartel? Quem ganha e quem perde? appeared first on InfoMoney.

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28 de abril de 2026·4 min de leitura
Emirados Árabes fora da Opep enfraquece cartel? Quem ganha e quem perde?

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O anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), bem como do grupo expandido Opep+, não se configura apenas como um movimento isolado de um país descontente com a falta de flexibilização da produção em resposta à demanda de mercado, mas se localiza num amplo contexto de medição de forças no tabuleiro do xadrez global. Analista e especialistas estão se debruçando hoje sobre os motivos e as consequências da decisão.

Oficialmente, as autoridades dos Emirados Árabes comunicaram que a decisão segue “uma revisão abrangente da política de produção dos Emirados Árabes Unidos e de sua capacidade atual e futura, baseando-se em nosso interesse nacional e em nosso compromisso em contribuir efetivamente para atender às necessidades urgentes do mercado”. Eles também destacaram a “responsabilidade soberana em uma nova era energética”.

O comunicado deu ainda uma dimensão de mais longo prazo ao anúncio, tirando um pouco o peso da difícil conjuntura atual. “Embora a volatilidade de curto prazo, incluindo interrupções no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, continue afetando a dinâmica da oferta, tendências subjacentes apontam para um crescimento sustentado na demanda global de energia no médio e longo prazo”, explicaram.

O governo local destacou a intenção de manter os Emirados Árabes como um “parceiro de energia confiável e responsável” e frisou que a decisão vai aumentar a flexibilidade para responder à dinâmica do mercado enquanto continua contribuindo para a estabilidade de maneira medida e responsável”.

Ficou assim bastante claro que o grupo de países quer sair das amarras do cartel encabeçado pela Arábia Saudita. Movimento que já foi feito recentemente pelo Catar, (2019) e Angola (2024).

O InfoMoney listou algumas razões e consequências no curto, médio e longo prazo dessa decisão.

O que é a Opep?

A Opep é uma organização intergovernamental que reúne algumas das principais nações produtoras de petróleo do mundo. Fundada em 1960 por Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela, foi uma inciativa para reduzir o controle exercido pelas grandes companhias petrolíferas internacionais conhecidas como “Sete Irmãs” (Exxon, Shell, BP, Mobil, Texaco, Gulf e Chevron), que controlavam a produção de decidiam os preços.

Desde então, os Estados-membros se reúnem regularmente e chegam a um acordo sobre quanto petróleo cada país irá produzir. Se a produção é cortada, a oferta global aperta e os preços sobem. Quando a decisão é inversa, a produção cresce, a oferta avança e os preços caem. Desde a primeira crise do petróleo, de 1973, quando um embargo dos produtores multiplicou a cotação do petróleo por quatro, a OPEP tem exercido enorme influências sobre a economia global.

Qual o papel dos Emirados Árabes no cartel?

A entrada é anterior à própria criação da Federação dos sete emirados, em 1971: Abu Dhabi entrou na Opep em 1967. Hoje, o país é o terceiro maior produto dentro do grupo, que responde por cerca de 30% do fornecimento global de petróleo.

Mas os Emirados aproveitaram para diversificar sua economia desde então. Calcula-se que os setores não petrolíferos representam cerca de 75% do produto interno bruto (PIB), embora o país continue investindo na expansão da capacidade de petróleo e gás – e de energias renováveis e de baixo carbono.

Conforme reportagens do site Gulf News, deixar a Opep e a Opep+ remove os Emirados Árabes Unidos dos acordos coletivos de produção. Ou seja, o país não vai mais precisar operar sob cotas de produção estabelecidas pelo grupo e poderá determinar os níveis de produção com base em sua própria capacidade e nas condições do mercado.

Os planos dos Emirados Árabes Unidos são de aumentar a capacidade de produção de cerca de 3,4 milhões de barris por dia para 5 milhões de barris por dia até 2027.

Efeitos da guerra

A produção dos países dentro da Opep caiu 27%, para 20,79 milhões de barris por dia em março, após uma interrupção que retirou 7,88 milhões de barris por dia do fornecimento. Essa queda recente superou até s cortes observados durante o choque de demanda causado pela Covid-19, em 2020, e chegou a superar as interrupções anteriores no fornecimento na década de 1970 e em 1991.

O fechamento do Estreito de Ormuz deixou cerca de 140 milhões de barris de petróleo presos no Golfo Pérsico, o equivalente a cerca de 1,4 dia de demanda global.

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