Derrota com rejeição de Messias sepulta relação com Senado, e Lula aposta em Motta
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A base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com cautela, mas, ao mesmo tempo, com pessimismo à derrota imposta pelo Senado à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Há o entendimento de que o momento não é bom para retaliar diretamente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e sim de procurar as condições para a manutenção da governabilidade.
Neste cenário, há a avaliação de que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pode se tornar uma figura-chave para o avanço das pautas consideradas prioritárias no Congresso até as eleições de outubro.
O revés, porém, não deve ficar sem nenhuma resposta. Petistas já pressionam, por exemplo, para que seja reeditada a campanha “Congresso Inimigo do Povo”, que teve início após o governo sofrer uma derrota no Poder Legislativo quando o decreto que ampliava o IOF foi derrubado no ano passado.
A estratégia seria mais eficaz do que retaliar pessoalmente o presidente do Senado, apontado por parlamentares como o principal articulador derrota de Messias.
Petistas dão como rompida a relação com o Senado e apontam que a militância de Luiz Inácio Lula da Silva precisa se mobilizar para fazer manifestações nas ruas e nas redes sociais contra o Congresso.
Iniciativas de interesse do governo, como as mudanças na escala de trabalho 6×1, por exemplo, deveriam ser pautadas pelo Senado por uma pressão da sociedade.
Na Câmara, por outro lado, há um entendimento de aliados do governo de que Motta possa atuar em sintonia com o Palácio do Planalto nessa pauta, ainda que considerem que ele tenha uma relação de “morde e assopra”.
São citadas como sinalizações positivas de Motta a aprovação de Odair Cunha, que era deputado pelo PT de Minas Gerais, como ministro do Tribunal de Contas da União, e escolha do deputado petista Alencar Santana para presidir a comissão especial da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que muda a escala 6×1.
— A conjuntura vai levar o Hugo Motta a estar mais conosco, a pauta do país, o que Lula defende, do que com o adversário. Com Hugo Motta a tendência é apoiar o Lula por causa da questão da Paraíba – disse o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), vice-presidente do partido.
Outra parte do PT, no entanto, considera que o presidente da Câmara também é parte da crise desencadeada com a derrota de Messias.
Ainda que ele não seja senador, petistas veem as digitais do senador Ciro Nogueira (PP-PI) na derrota do governo no Senado e consideram que Motta não age desalinhado com ele, considerado um de seus principais padrinhos políticos.
Mesmo entre os mais críticos a Alcolumbre, há uma percepção, no entanto, que a retirada ou não de cargos indicados por ele precisa passar por uma avaliação minuciosa do governo e que o foco deve ser as manifestações contra a cúpula do Congresso.
A derrota de Messias também provoca desconfianças entre o PT e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Embora o partido do parlamentar tenha declarado apoio ao indicado de Lula, Pacheco evitou se posicionar publicamente.
Como o voto é secreto, não é possível saber se ele apoiou ou não Messias. O senador era o nome de preferência de Alcolumbre para o cargo no STF.
Pacheco vinha se aproximando do governo e fez recentemente vários discursos elogiosos a Lula. O PT tinha a expectativa que ele se candidatasse a governador de Minas Gerais e desse palanque para Lula no estado, mas o movimento agora é encarado com ceticismo em parte da legenda.
Petistas passam a analisar a possibilidade de que ele não tope ser candidato e já começam a pensar em alternativas para candidatura no estado, como o deputado Reginaldo Lopes (PT) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), demonstrou surpresa com a derrota.
— Para mim foi uma surpresa, estávamos esperando 44 ou 45, mas cada um vota com sua consciência.
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