Corte de tributos pode aliviar eventual reajuste da Petrobras sob a gasolina?
Presidente da Petrobras afirmou em evento que, com medida de compensação, terá flexibilidade para subir preço do combustível vendido nas refinarias The post Corte de tributos pode aliviar eventual reajuste da Petrobras sob a gasolina? appeared first on InfoMoney.

Image: InfoMoney
A presidente da Petrobras (PETR3;PETR4), Magda Chambriard, afirmou ontem que a estatal pretende reajustar os preços da gasolina nos próximos dias. Mas condicionou o aumento à aprovação rápida no Congresso do projeto de lei proposto pelo governo que autoriza o uso da arrecadação extra esperada no setor de petróleo, por causa da disparada do preço internacional, para compensar uma redução de impostos federais sobre os combustíveis.
Um eventual reajuste pode aumentar ainda mais a pressão dos combustíveis sobre a inflação, e o cenário global não ajuda. Ontem, o barril do petróleo alcançou US$ 111,26, maior valor desde 31 de março.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, que provocou a alta do barril com a redução da oferta mundial de petróleo, a Petrobras ainda não reajustou o preço da gasolina em suas refinarias, diferentemente do que fez em relação ao diesel, que já conta com desoneração e subvenção do governo. Mesmo assim, a gasolina tem subido nos postos.
Ontem, os combustíveis se destacaram no IPCA-15 de abril, que acelerou para 0,89%, após ter ficado em 0,44% em março.
No índice do IBGE que é uma espécie de prévia da inflação do mês, os combustíveis passaram de -0,03% em março para 6,06% em abril, dando ao grupo transportes (1,34%) o segundo maior impacto no índice geral. A gasolina subiu 6,23% e foi o principal impacto individual no mês, após ter recuado 0,08% em março.
O preço dos combustíveis também influencia a inflação de alimentos, cujo grupo variou 1,46%. Com isso, o IPCA-15 acumula alta de 2,39% no ano e de 4,37% nos últimos 12 meses, próximo do teto da faixa de tolerância da meta do Banco Central, que vai até 4,5%.
Um reajuste da Petrobras pode agravar o quadro inflacionário pressionado pelos preços dos combustíveis, embora Magda tenha afirmado que eventuais aumentos da gasolina serão compensados pelas subvenções que o governo venha a conceder com autorização do Congresso, evitando que chegue na mesma proporção ao consumidor.
Magda admitiu que a estatal tem evitado repassar a volatilidade do barril para os preços internos, mas esse represamento pode provocar prejuízos à companhia.
O que dizem os especialistas
O preço médio do litro de gasolina no país é de R$ 6,72, segundo levantamento da Petrobras em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Os impostos federais correspondem a R$ 0,68.
Na leitura de Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, a desoneração deve “ficar na casa dos R$ 0,30, R$ 0,40” por litro de gasolina, o que permitiria à Petrobras elevar o preço em suas refinarias na mesma proporção, diminuindo a defasagem na comparação internacional.
— Essa redução é positiva para a Petrobras. Sempre que o petróleo sobe muito, a Petrobras consegue segurar preço, pois o resultado nas áreas de produção mais que compensam eventuais perdas com refinados — disse, ressaltando que a estatal não pode manter o desequilíbrio por muito tempo. — O petróleo é uma matéria-prima. Se vai para US$ 115, não tem o que as distribuidoras possam fazer a não ser repassar o preço ao consumidor.
Impacto chega aos alimentos
Mesmo sem reajustes pela Petrobras, a alta da gasolina indica o aumento dos preços dos combustíveis por parte das distribuidoras, como resposta ao encarecimento internacional do petróleo, observa André Valério, economista sênior do Inter. Ele avalia que a situação deve continuar pressionada mesmo após o fim do conflito e eventual reabertura do Estreito de Ormuz.
— Estima-se que 13 milhões de barris de petróleo por dia não estão passando pelo Estreito, o que já gerou uma destruição de demanda por petróleo, principalmente na Ásia. Mas, dado o prolongamento do conflito e a falta de perspectiva de uma solução estável no curtíssimo prazo, devemos ver a questão de oferta intensificar, mantendo os preços pressionados — projetou.
Valério ainda chama a atenção para a capacidade dos combustíveis de contaminarem os preços de outros setores via transporte de cargas, como os alimentos.
Artigo original
Corte de tributos pode aliviar eventual reajuste da Petrobras sob a gasolina?
Publicado por InfoMoney
