Berkshire sem Buffett: o maior desafio em 60 anos começa agora
Encontro anual em Omaha marca nova fase da Berkshire e coloca Greg Abel diante do legado mais observado do mercado The post Berkshire sem Buffett: o maior desafio em 60 anos começa agora appeared first on InfoMoney.

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Pela primeira vez em sessenta anos, os investidores que desembarcam em Omaha, no estado americano de Nebraska, para o encontro anual da Berkshire Hathaway encontrarão um palco diferente.
Em janeiro de 2026, Greg Abel assumiu oficialmente o comando da companhia, encerrando o ciclo em que Warren Buffett tomava pessoalmente cada decisão sobre onde aplicar o dinheiro de um dos maiores impérios financeiros do mundo.
A troca acontece pouco mais de dois anos depois da morte de Charlie Munger, vice-presidente histórico da Berkshire, em novembro de 2023, aos 99 anos.
Lucas Collazo, apresentador do Stock Pickers e especialista em investimentos, viajou até a casa onde Buffett vive desde 1958, comprada por pouco mais de 30 mil dólares.
“Warren Buffett não é só um investidor. É o estudo de caso mais longo e documentado sobre como aplicar dinheiro na história”, afirma Collazo. Para ele, a questão diante de Abel não é o dia a dia da empresa.
“A pergunta é se ele consegue reconhecer um bom negócio quando este aparece, e ignorar quando não existe. E, principalmente, se consegue fazer isso com US$ 300 bilhões na mão, sem ter alguém ao lado, como Munger, para apontar quando está errado.”
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Da infância em Omaha à virada com Munger
Nascido em 1930, no auge da Grande Depressão, Buffett fez sua primeira compra de ações aos onze anos. Antes disso, já vendia chicletes de porta em porta, entregava jornais e instalava máquinas de fliperama em barbearias.
Na Universidade Columbia, em Nova York, estudou com o professor Benjamin Graham, que ensinava algo simples e ignorado pelo mercado: preço e valor são coisas diferentes. Quando uma ação é vendida por menos do que vale, abre-se uma folga que protege o investidor mesmo quando ele erra alguma conta.
Buffett aplicou esse método em suas sociedades de investimento entre 1956 e 1969, com retornos consistentemente acima do mercado, mas encerrou as parcerias por falta de oportunidades.
Foi quando Charlie Munger, advogado formado por Harvard e também filho de Omaha, entrou em cena. Sua maneira de pensar era pouco usual. Cruzava conhecimentos de matemática, física, psicologia e biologia, e mudou a pergunta central da Berkshire.
Graham perguntava se o negócio estava barato. Munger passou a perguntar se o negócio era bom. “Essa é até hoje a chave do sucesso da Berkshire”, afirma Collazo.
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See’s Candies, seguros e o motor de bilhões
A compra da See’s Candies, em 1972, virou o exemplo mais conhecido dessa nova lógica. A fabricante de chocolates da Califórnia não era barata, custou US$ 25 milhões, mas tinha uma fidelidade rara entre os clientes.
Conseguiu aumentar preços todos os anos, acima da inflação, sem perder volume. Em 35 anos, gerou US$ 1,35 bilhão em lucro antes dos impostos, com apenas US$ 32 milhões reinvestidos no período.
Foi com esse caixa que partes inteiras da Berkshire foram financiadas, e a lição abriu caminho para apostas posteriores em Coca-Cola e American Express.
A Berkshire começou como uma têxtil em declínio que Buffett comprou em 1965 por estar barata, decisão que ele próprio classificou como erro de centenas de bilhões.
Mas a entrada no setor de seguros mudou tudo. A seguradora recebe o dinheiro do cliente hoje e só paga, em caso de sinistro, anos depois, deixando um volume enorme de dinheiro disponível para investimento no meio do caminho.
Na Berkshire, esse valor chegou a US$ 171 bilhões no fim de 2024. Em muitos anos, foi como se a empresa fosse paga para usar o dinheiro dos outros.
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