Finance

BC sem saída? Entenda por que o corte de juros subiu no telhado agora

O conflito direto entre Estados Unidos e Irã levou o petróleo a romper a barreira dos US$ 100 The post BC sem saída? Entenda por que o corte de juros subiu no telhado agora  appeared first on InfoMoney.

I
InfoMoney
28 de abril de 2026·3 min de leitura
BC sem saída? Entenda por que o corte de juros subiu no telhado agora

Image: InfoMoney

A virada de fevereiro para março deste ano enterrou o cenário benigno que vinha embalando os mercados desde o fim de 2025. Em pouco mais de oito semanas, o conflito direto entre Estados Unidos e Irã levou o petróleo a romper a barreira dos US$ 100, derrubou parques de energia no Oriente Médio e empurrou os bancos centrais — incluindo o brasileiro — para um beco sem saída entre inflação mais alta e crescimento mais fraco.

No mesmo período, o mundo viu uma combinação inédita de eventos: disparada histórica dos metais, fluxo recorde para mercados emergentes, a remoção do venezuelano Nicolás Maduro do poder por uma operação americana e uma alta de 18 pregões consecutivos no índice de semicondutores nos Estados Unidos, com algumas ações subindo 150% em apenas 20 dias.

O Brasil, segundo gestores, surfa parte desse movimento pelo chamado efeito halo — quando bolsas emergentes sobem na esteira do otimismo global.

Para discutir o impacto desse caldeirão de fatores, o programa Aftermarket, comandado por Lucas Collazo, transmitiu nesta edição direto de Omaha, nos Estados Unidos, durante a cobertura do encontro anual de acionistas da Berkshire Hathaway (BRK.B), de Warren Buffett. Participaram do bate-papo Andrew Rider, da WHG; Christian Keleti, da Alpha Key; e Felipe Guerra, da Legacy Capital.

Segundo Keleti, da Alpha Key, profissional com quase 30 anos de mercado, poucas vezes houve um conjunto de mudanças tão intenso em tão pouco tempo.

“Se eu chegasse para o (Felipe) Guerra hoje e ele tivesse dormido quatro meses, e falasse: olha, vai ter um rali de metais histórico, fluxo para emergentes que nunca vimos, os Estados Unidos entrando de madrugada na casa do Maduro, o petróleo acima de US$ 100 — o que você iria falar?”, provocou.

Cenário virou de “ideal” para inflacionário

Felipe Guerra, da Legacy, respondeu que o ambiente até o início do ano era tão favorável que a gestora chegou a projetar inflação de 3,4% para o Brasil, uma das mais baixas do mercado.

A previsão para os Estados Unidos rodava em torno de 2,2% — bem abaixo do consenso, que trabalhava com 2,7% a 2,8%. “A gente achava o ambiente muito propenso para tomar risco, para estar comprado em ativos de risco”, afirmou.

Tudo mudou no dia 27 de fevereiro. Os ataques iranianos a vizinhos e a destruição de parques de energia na região tornaram impossível ignorar o choque.

Segundo Guerra, o quadro virou da água para o vinho: saiu de “mais crescimento e menos inflação” para “mais inflação e menos crescimento” — uma combinação muito mais hostil para ações e títulos de risco.

A reação dos mercados foi caótica. Março trouxe forte realização de lucros nos ativos. Já abril teve uma recuperação em formato de “V” nas bolsas e nas moedas, com exceção da renda fixa e do petróleo, que seguiram pressionados.

“Acho que vai ser uma mudança radical”, avaliou o gestor da Legacy, ressaltando que o tamanho e a duração do choque do petróleo ainda são uma incógnita.

Artigo original

BC sem saída? Entenda por que o corte de juros subiu no telhado agora

Publicado por InfoMoney

Ler artigo completo