BBI: O que está fazendo as ações da Suzano caírem desde o fim de fevereiro?
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As ações da Suzano (SUZB3) caíram 20% desde o fim de fevereiro. O desempenho ficou abaixo de pares locais e internacionais, que recuaram 10% e 14%, respectivamente. Em conversas recentes com investidores, o Bradesco BBI identificou que o principal motivo de cautela está ligada ao câmbio.
Nesta quarta-feira (29), a ação iniciou o dia sendo negociada a R$ 45,50. Logo após a abertura, a SUZB3 sofreu uma forte queda, atingindo a mínima do dia até então, a R$ 45,10. Por volta das 13h, a ação recuava 0,70%, a R$ 45,13.
Com o real mais forte, a companhia tem passado por um momento de vento contrário. De acordo com o BBI, cada variação de US$0,10 no real impacta o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anual em cerca de 3%.
Mesmo com a valorização do dólar em períodos de maior volatilidade global, como a guerra no Oriente Médio, o real brasileiro também manteve sua apreciação. A moeda subiu cerca de 5%, até uma máxima de dois anos próxima de 5,00.
Valorização crescente
De acordo com a equipe econômica do banco, essa divergência indica que fatores domésticos idiossincráticos estão superando o movimento global de aversão ao risco no caso do real. Ainda que a expectativa de taxa de câmbio permaneça de 5,35 até o fim de 2026, os analistas reconhecem que a assimetria está inclinada para um real mais forte.
Essa valorização deve responder a um contexto, ainda, de juros reais elevados, fluxos de capital resilientes e um balanço externo favorável. Apesar do real mais forte ser negativo para a empresa (e afetar o sentimento, no curto prazo), o BBI destaca que a Suzano está protegida para 2026 e 2027.
Com o câmbio atual, a estimativa do banco é de contribuições positivas de caixa provenientes de derivativos de R$1,5 bilhão em 2026 e R$3,6 bilhões em 2027.
Cenário já precificado
Apesar do conflito em curso no Oriente Médio exercer pressão de custos e riscos à demanda por celulose, as avaliações atuais já compreendem amplamente esses fatores. O mesmo vale para os riscos de excesso de oferta de celulose com a expansão da produção na China.
De acordo com o BBI, alguns ivnestidores se mostraram preocupados com a oferta adicional da América Latina, com o porjeto Sucuriú previsto para iniciar no fim de 2027. Para os analistas, o excesso de oferta deve começar a crescer entre 2027 e 2029.
Já considerando essa narrativa, a Suzano tem negociado próxima de 5x EV/EBITDA (valor da empresa sobre lucro operacional), significativamente abaixo de sua média histórica de 7x.
De maneira geral, conforme o banco, os investidores tendem a adotar uma postura mais avessa ao risco, favorecendo empresas com políticas claras de retorno ao acionista. Para a Suzano, isso tem sido um ponto de crítica.
De acordo com os analistas, o uso limitado de programas recentes de recompra de ações e a ausência de uma política formal de dividendos, têm contribuído para o receio dos investidores. Ainda assim, o BBI destaca que uma alocação de capital mais conservadora e maior visibilidade de caixa podem aliviar preocupações a caminho de 2027.
O banco tem recomendação de compra para SUZB3, com preço-alvo de R$ 73,00 para o fim de 2026.
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