Aliados de Lula no Congresso se dividem sobre reação do governo após derrotas
Parte de integrantes da base quer retomar discurso de que o Legilslativo seria 'inimigo do povo' The post Aliados de Lula no Congresso se dividem sobre reação do governo após derrotas appeared first on InfoMoney.

Image: InfoMoney
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional se dividem sobre qual tom o Palácio do Planalto deve adotar daqui até o final do ano na relação com o Legislativo após derrota histórica imposta por senadores ao petista com a rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
De um lado, um grupo de parlamentares defende que o governo deve ir para o embate direto com os congressistas, suscitando o tensionamento e estimulando a retórica de que o Congresso “é inimigo do povo”, a exemplo do que ocorreu após a crise do IOF e que, na avaliação de governistas, ajudou a conter a rejeição da gestão petista naquele momento.
Na avaliação desses políticos, é preciso dobrar a aposta e reforçar o discurso de que o Congresso atua para blindar os parlamentares e que o governo é contra esse movimento. Há uma avaliação que essa tese é de fácil compreensão e encontra respaldo de grande parte da sociedade.
Esse tom já foi incorporado em algumas declarações públicas de aliados de Lula desde quarta-feira, entre eles os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), Rogério Correia (PT-MG) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais, além do ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência).

Análise: derrota histórica com rejeição de Messias provoca tiroteio entre governistas
De traição à omissão, os ataques foram variados e amplos

Palanque de Lula em Minas fica em xeque após Pacheco evitar declarar voto em Messias
Aliados de Lula manifestam desconfiança após derrota de Messias, mas interlocutores do mineiro negam atuação do senador contra o advogado-geral da União
A linha adotada por eles é reforçar que a derrota de Messias foi orquestrada por uma parte do centrão que se aliou ao bolsonarismo para impor uma derrota a Lula e tentar frear o avanço de investigações da Polícia Federal, entre elas a do escândalo do Banco Master.
Gleisi, por exemplo, falou em um “grande acordão” entre a oposição bolsonarista e “outros objetivos eleitoreiros e pessoais dos que se sentem ameaçados pelas investigações de escândalos financeiros e contra o crime organizado”.
Defensores dessa tese dizem que, com a proximidade das eleições, a cada dia que passa a relação com o Congresso ficará em segundo plano. E que o governo precisa centrar esforços na disputa política.
Três políticos que integram a cúpula do Congresso afirmaram ao GLOBO, no entanto, que o governo precisa ter cautela nos próximos passos para evitar um tensionamento maior ainda com os parlamentares. Eles dizem que um rompimento em ano eleitoral pode ser determinante para enterrar a chance de reeleição de Lula e lembram propostas consideradas prioritárias para o Executivo que ainda precisam ser aprovadas neste ano.
Esse receio é compartilhado por uma parte de aliados de Lula no Congresso. Eles temem que qualquer tensionamento possa inviabilizar por completo a relação com o centrão no Legislativo e comprometer a governabilidade do petista em ano eleitoral.
Além de matérias consideradas importantes, a exemplo do fim da escala 6×1 — tida como um trunfo eleitoral para Lula caso aprovada —, é preciso evitar qualquer novo embaraço político para o presidente durante a campanha eleitoral.
Nas palavras de um líder da Câmara da base aliada, o governo tem hoje dois principais problemas: um na área da política, na relação com os demais partidos; e outro na eleitoral, num cenário em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se consolidou na disputa pela Presidência e, em algumas pesquisas de intenção de voto, aparece numericamente à frente de Lula. Ele diz que o governo não tem mais margem para sofrer reveses, e por isso defende cautela em qualquer movimento.
Um aliado do presidente da República diz que é preciso esperar baixar a fervura do momento antes de decidir qual será a linha adotada pelo Planalto e afirma que defende a reorganização da base. Nas palavras dele, é preciso “acalmar, reagrupar e recompor”, além de dar sinalizações de que o governo não está isolado, seja por meio de votações combinadas no Congresso ou por novas movimentações na área política.
Artigo original
Aliados de Lula no Congresso se dividem sobre reação do governo após derrotas
Publicado por InfoMoney