Alcolumbre retoma laço com bolsonarismo em rejeição a Messias por espaço eleitoral
Presidente do Senado tem intenção de continuar à frente da Casa em um eventual governo Flávio Bolsonaro, segundo aliados The post Alcolumbre retoma laço com bolsonarismo em rejeição a Messias por espaço eleitoral appeared first on InfoMoney.

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), fez gestos à oposição no Senado, retomando laços com o grupo e mirando espaço político ao orquestrar movimento que impôs derrota histórica a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
O movimento de Alcolumbre tem como pano de fundo as eleições deste ano e o desejo do parlamentar de se reeleger presidente do Senado em 2027, segundo relatos de aliados próximos do senador. Na avaliação deles, há também um incômodo de Alcolumbre com o governo petista e com a atuação da Polícia Federal em investigações que têm como alvo parlamentares.
Alcolumbre foi alçado presidente do Senado, em 2019, com apoio do bolsonarismo e do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De lá para cá, no entanto, se afastou do grupo. Nos primeiros anos de Lula 3, se tornou um dos principais pontos de governabilidade do petista no Congresso. A situação mudou com a indicação de Messias.
Nos bastidores do Senado, a atuação de Alcolumbre na derrota do chefe da Advocacia-Geral da União é atribuída a um conjunto de motivações políticas que vão além do episódio pontual. Senadores ouvidos pela reportagem apontam três vetores principais: reposicionamento interno no Senado, recados ao Judiciário e insatisfação com o governo federal.
Comando da Casa
O primeiro deles é de natureza política e eleitoral. Interlocutores avaliam que Alcolumbre já vinha acumulando insatisfações com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que o movimento recente não se explica apenas por divergências pontuais — como a escolha de Messias para uma vaga na Corte em detrimento de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado de primeira hora do presidente do Senado.
A leitura é que o senador busca se reposicionar diante de um cenário em que o Senado tende a se deslocar mais para a centro-direita a partir de 2027. Ao demonstrar capacidade de impor derrotas ao Planalto, ele reforça sua força política interna e se credencia para disputar e manter o comando da Casa.
Antes deste gesto, com a expectativa de crescimento da oposição nas eleições, parlamentares ventilavam que Tereza Cristina (PP) ou Rogério Marinho (PL) pudessem rifá-lo. O temor cresce ainda com o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas presidenciais. Segundo a última Quaest, ele está empatado tecnicamente com Lula no segundo turno, mas numericamente à frente, com 42% a 40%.
Oposicionistas dizem enxergar um primeiro gesto de aproximação de Alcolumbre, mas rejeitam que há um consenso para apoiá-lo na reeleição à presidência do Senado, falando do desejo de emplacar a candidatura de Rogério Marinho. Eles falam de falta de cumprimento de acordos de Alcolumbre, como a anistia aos golpistas do 8 de janeiro, e afirmam que há desconfiança pela proximidade do parlamentar com o governo Lula nos primeiros anos do terceiro mandato do petista. A iminente derrubada do veto presidencial à dosimetria, que está sendo discutido em sessão do Congresso nesta quinta-feira, seria outro gesto de Alcolumbre ao grupo.
Esse movimento também dialoga com o cenário local. Aliados apontam que Alcolumbre considera não apenas a dinâmica interna do Senado, mas seu espaço eleitoral no Amapá, onde enfrenta um ambiente mais competitivo, com desgaste de aliados e avanço de forças mais à direita. Nesse contexto, endurecer a relação com o governo e se apresentar como uma liderança independente tende a ter efeitos tanto em Brasília quanto no estado.
Na esfera local, o governador Clécio Luís (União Brasil) enfrenta o prefeito afastado de Macapá, Dr, Furlan (PSD), que tem o apoio da direita no estado. Sua movimentação também visa acomodar seus aliados no estado e recuperar espaço.
Mensagem ao STF
Outro fator citado por senadores é o envio de um recado ao STF. Interlocutores afirmam que Alcolumbre buscou demonstrar capacidade de influência sobre o processo de escolha de ministros e de impor limites à atuação da Corte, além de sinalizar que ele tem comando sobre o plenário. Nos bastidores, oposicionistas e governistas dizem enxergar um aval de ministros do Supremo neste movimento de Alcolumbre, já que o parlamentar não daria um recado tão duro sem ter o respaldo de uma ala do Judiciário.
Políticos também dizem enxergar um recado de Alcolumbre para o ministro André Mendonça, que foi um dos maiores fiadores da indicação de Messias e enfrentou dificuldades quando foi sabatinado pelo Senado pelas mãos do presidente do Senado.
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Alcolumbre retoma laço com bolsonarismo em rejeição a Messias por espaço eleitoral
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