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A marca de carros chinesa que está em ascensão global e não se chama BYD

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30 de abril de 2026·4 min de leitura
A marca de carros chinesa que está em ascensão global e não se chama BYD

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NINGBO, China — A cada abril, os principais executivos e engenheiros da indústria automotiva mundial viajam à China para o principal salão do setor e avaliar a BYD, a potência dos carros elétricos que superou a Tesla em vendas globais no ano passado.

Mas, no evento Auto China que acontece agora em Pequim, outro nome vem chamando atenção: Zhejiang Geely Holding Group. Em um movimento inesperado, a Geely superou a BYD em vendas nos dois primeiros meses do ano e está ampliando rapidamente sua linha de produtos. A empresa agora avança para o exterior, mais do que dobrando as exportações para a Europa, o Oriente Médio e outras regiões no último ano, enfrentando concorrentes globais em seus próprios mercados.

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A ascensão da Geely ocorre em um momento decisivo. A guerra no Irã fez os preços da gasolina dispararem, reavivando a demanda por veículos elétricos — um segmento dominado pelas montadoras chinesas.

Após anos preparando o terreno para expandir exportações e escapar de um mercado doméstico extremamente competitivo, as marcas chinesas parecem prontas para aproveitar a oportunidade e alterar o equilíbrio de poder na indústria automobilística global.

A Geely construiu um modelo de negócios pensado para lidar com volatilidade. É uma das poucas montadoras capazes de competir nos quatro principais tipos de motorização: gasolina, híbridos gasolina-elétricos, híbridos plug-in e totalmente elétricos. Essa diversidade permite ajustes rápidos conforme as condições mudam.

Quando o governo chinês deixou expirar os subsídios fiscais para carros elétricos neste ano e a demanda caiu, a Geely reagiu apoiando-se em seus modelos a gasolina. Em seguida, quando a guerra no Irã fez os preços da gasolina subirem no mês passado, a empresa voltou a promover híbridos plug-in e carros elétricos.

Com a economia chinesa também desacelerando, as vendas de carros elétricos a bateria e híbridos plug-in na China caíram 14% nos primeiros 19 dias de abril em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as vendas de veículos a gasolina despencaram quase 40%.

A versatilidade da Geely “se tornou uma clara vantagem competitiva”, disse David Zhang, diretor de pesquisa em tecnologia veicular do Jiangxi New Energy Technology Institute.

Com os preços dos combustíveis em alta no mundo todo, a Geely afirmou neste mês que está convertendo todos os seus veículos restantes movidos apenas a gasolina para híbridos gasolina-elétricos.

“Cada um de seus veículos será altamente eficiente em consumo de combustível — isso será outra vantagem”, disse Yale Zhang, diretor-geral da Automotive Foresight, uma consultoria com sede em Xangai.

A Zhejiang Geely, de capital fechado e controlada por seu fundador e presidente, Li Shufu, de 62 anos, comanda uma ampla rede de montadoras. A empresa divulga poucas informações financeiras, mas estabeleceu a meta de gerar 30% de suas vendas fora da China até 2030.

As ações de sua maior unidade, Geely Automobile Holdings, são negociadas em Hong Kong. A empresa vendeu 3 milhões de carros no ano passado, um aumento de 39% em relação ao ano anterior. A receita cresceu 25%, mesmo com a guerra de preços na China pressionando os valores dos veículos para baixo.

A Geely começou a fabricar carros em 1998, quando passou a fornecer táxis para frotas chinesas. Em menos de três décadas, a Zhejiang Geely se transformou em uma montadora global, com vendas que hoje se aproximam das da Ford Motor Co., fundada há 123 anos.

A trajetória de Li também foi improvável. Na adolescência, ele usou o dinheiro reservado para a faculdade para comprar uma câmera e abrir um pequeno negócio fotografando turistas. Depois, passou a fabricar componentes para geladeiras, motocicletas e carros antes de construir veículos completos em Taizhou, sua cidade natal na província costeira de Zhejiang.

Em 2006, a Geely vendia subcompactos baratos para compradores de primeira viagem, com designs simples e de baixo custo que pareciam bastante utilitários pelos padrões ocidentais.

Isso não desanimou as ambições globais de Li. Em uma entrevista de 2006, ele sugeriu que a Ford vendesse a Jaguar ou a Volvo — duas das muitas marcas da montadora americana na época — para a Geely.

A ideia parecia improvável, mas, após a Ford enfrentar dificuldades durante a crise financeira global, Li contraiu grandes empréstimos para comprar a Volvo, marca sueca, em 2010. Desde então, a Zhejiang Geely revitalizou a Volvo.

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