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A Cuba comunista algum dia vai pagar os bilhões em propriedades que confiscou?

Décadas após a revolução de Fidel Castro, bilhões seguem sem compensação, tornando-se um entrave nas negociações entre Cuba e EUA The post A Cuba comunista algum dia vai pagar os bilhões em propriedades que confiscou? appeared first on InfoMoney.

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29 de abril de 2026·4 min de leitura
A Cuba comunista algum dia vai pagar os bilhões em propriedades que confiscou?

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Teo Babún Jr. guarda lembranças carinhosas da grande casa de esquina azul e branca em Santiago de Cuba, onde sua avó, uma matriarca rica na Cuba pré-revolução, reunia a família — seus oito filhos e 21 netos.

Os Babún eram industriais que, como cerca de 200 mil outros cubanos abastados, fugiram da ilha após Fidel Castro chegar ao poder. Deixaram para trás uma ferrovia, uma serraria, um estaleiro e uma fábrica de cimento — além da grande propriedade chamada “La Mesquita”.

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Por um período, Raúl Castro, irmão de Fidel e ex-presidente, morou ali. Quase sete décadas depois, o governo cubano usa o local para abrigar uma associação cívica árabe.

Conhecida como “Casa del Árabe”, a casa, que inclui um restaurante, está entre milhares de propriedades tomadas pelo governo comunista de pessoas que deixaram Cuba — algumas apenas com a roupa do corpo — e nunca receberam compensação.

O sistema cubano parece estar à beira do colapso, e o governo dos Estados Unidos demonstra interesse em acelerar essa queda.

Enquanto os dois lados negociam em segredo, uma questão espinhosa de décadas voltou à tona: os incontáveis bilhões de dólares em casas, fábricas, fazendas, usinas de açúcar e outros negócios confiscados após a revolução socialista que nacionalizou empresas e implementou amplas políticas agrárias.

“Se você possui algo e alguém tira isso de você sem nenhum tipo de compensação ou solução, isso simplesmente não é justo”, disse Babún. “Minha família só quer justiça.”

Se os Estados Unidos tiverem influência nas negociações sobre o futuro de Cuba, ex-proprietários esperam que o tema seja abordado.

Resolver os confiscos é complicado e levaria anos. Mas especialistas afirmam que há muitos precedentes pelo mundo, como Vietnã, Alemanha e China, que oferecem um roteiro.

Durante anos, o falecido pai de Babún, Teófilo Sr., dedicou-se a ajudar exilados a pegar em armas contra o governo Castro, inclusive na fracassada Invasão da Baía dos Porcos.

O filho, hoje com 78 anos, comandou uma organização religiosa sem fins lucrativos financiada pelo governo dos EUA e tentou criar um registro de propriedades tomadas de cubanos, na esperança de que o Departamento de Estado pressionasse Cuba sobre essas perdas.

Mas o esforço se mostrou demorado e difícil demais, e o projeto terminou com 8 mil reivindicações registradas — uma pequena fração dos casos potenciais. (Ele disse que muitas pessoas pareciam hesitantes, temendo que aderir a uma reivindicação coletiva anulasse sua capacidade de negociar acordos individuais maiores com o governo cubano.)

A família contratou consultores em 2018, que estimaram o valor de seus bens naquele momento em US$ 874,2 milhões, incluindo US$ 9 milhões pela casa, segundo ele.

Mas Babún afirmou que a passagem do tempo e o agravamento da crise em seu país natal suavizaram sua visão.

“É preciso encontrar uma solução que proteja os ocupantes atuais, se for uma casa, e não desloque ninguém”, disse Babún. “E, ao mesmo tempo, buscar justiça.”

Antes de 1959, Cuba era governada pelo ditador Fulgencio Batista e conhecida como um playground para elites americanas. Cubanos ricos eram frequentemente vistos como oligarcas que exploravam os pobres.

Os irmãos Castro, buscando acabar com a corrupção generalizada, a forte desigualdade econômica e a dependência dos Estados Unidos, lideraram um movimento guerrilheiro armado que derrubou Batista.

Poucos meses após assumirem o poder, uma lei agrária expropriou terras com mais de 405 hectares e proibiu a propriedade estrangeira. Em 1960, Cuba confiscou refinarias de petróleo pertencentes a americanos e nacionalizou grandes empresas.

Como retaliação, os Estados Unidos anunciaram um embargo comercial severo contra Cuba, que permanece até hoje.

Uma comissão do governo americano documentou perdas de empresas e cidadãos dos EUA, certificando quase 6 mil reivindicações avaliadas em US$ 1,9 bilhão. Com juros de 6% adicionados, estima-se que hoje esses valores cheguem a cerca de US$ 9 bilhões — uma quantia difícil para Cuba pagar.

Cinco dos dez maiores reclamantes eram empresas açucareiras dos EUA. Outras eram Exxon, Coca-Cola, Colgate-Palmolive e Woolworth’s.

Pela lei americana, para que o embargo seja suspenso, o governo cubano deve devolver propriedades ou compensar proprietários americanos cujas perdas foram certificadas pelo governo dos EUA.

Autoridades americanas que se reúnem com líderes cubanos em negociações secretas deixaram claro que a compensação a americanos e empresas dos EUA continua sendo uma prioridade central.

O Ministério das Relações Exteriores de Cuba não respondeu aos pedidos de comentário para esta reportagem.

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