A ambição que ajudou você a subir na carreira pode levar à exaustão; saiba lidar
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No início da sua carreira, você se voluntariava para projetos difíceis, ficava até mais tarde e se orgulhava de entregar resultados. Funcionou. Você subiu na hierarquia, construiu uma reputação de resolver problemas e se tornou líder. Isso foi antes. Agora, a ambição que antes te energizava te deixa exausto. E os padrões que estabeleceu parecem uma esteira da qual você não consegue descer.
É um padrão comum entre profissionais de alto desempenho, segundo Mary Anderson, psicóloga clínica e autora de “The Happy High Achiever” (O realizador altamente feliz, em tradução literal). Em sua prática, ela vê isso repetidamente: pessoas ambiciosas e bem-sucedidas no auge da carreira que já cumpriram todos os requisitos e ainda assim se sentem vazias.
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“Eles não estão desfrutando da própria excelência”, diz ela. “Em vez disso, estão sobrecarregados, exaustos e com níveis elevados de cortisol.”
Para muitos, é nesse momento que a crise surge, observa Amy Wrzesniewski, psicóloga organizacional e professora da Wharton School da Universidade da Pensilvânia.
“Se o seu sucesso sempre dependeu de um esforço e de uma energia enormes, e de repente você não consegue mais sustentar isso, é assustador”, diz ela. “Mas, em vez de se culpar pelo que antes funcionava, direcione essa energia para entender por que as coisas mudaram.”
Comece fazendo a si mesmo estas cinco perguntas
- Este é um problema de motor ou de combustível?
A queda na sua ambição tem uma causa, e ajuda pensar nela de duas formas: seu motor está se desgastando ou seu combustível mudou.
Um problema de motor significa que a “máquina” (ou seja, seu corpo) envelheceu. Você ainda gosta do trabalho, mas a recuperação leva mais tempo e a energia já não é a mesma.
“Quando você era mais jovem, conseguia funcionar com pouco sono e comer qualquer coisa rápida”, diz Anderson. “No começo da carreira, dá para seguir no limite, mas isso cobra seu preço depois.”
Um problema de combustível é diferente. As peças do motor estão bem, mas o que o alimenta mudou. Você não consegue mais gerar o entusiasmo que antes vinha naturalmente.
“O combustível já não tem a mesma faísca”, diz Wrzesniewski. Você começa a perceber: “Na verdade, já não sinto o mesmo em relação a isso.”
O diagnóstico importa porque as soluções são diferentes.
- Estou buscando a próxima conquista ou fazendo um trabalho que faz sentido para mim?
A pesquisa de Wrzesniewski identifica três formas de encarar o trabalho. Alguns o veem como um emprego, basicamente uma troca financeira. Outros o veem como uma carreira, focada em progresso e promoções. E há quem veja o trabalho como uma vocação: algo intrinsecamente significativo e gratificante.
Ela observa que pessoas que encaram o trabalho como emprego ou carreira relatam menor satisfação do que aquelas que o veem como vocação. E, se você foi movido por conquistas e avanço constante, essa orientação perde força quando você chega a um platô ou fica sem novos degraus para subir. O foco muda: “Como me sinto em relação a este trabalho? Ele é significativo?”, diz Wrzesniewski.
Quem enxerga o trabalho como vocação é menos vulnerável a esses sentimentos.
“O ponto sempre foi gostar desse trabalho”, explica. “Ou ele é divertido ou desafiador, ou contribui para algo com que você se importa. Esse vínculo sustenta melhor as pessoas.”
Você não precisa abandonar a ambição. Mas talvez precise redirecioná-la para o trabalho em si, não para a próxima promoção.
- De quais padrões eu estou vivendo?
Em algum momento, você pode ter terceirizado sua definição de sucesso, diz Anderson. Os padrões do seu setor se tornaram os seus. As métricas da sua empresa viraram seus parâmetros. Você está vivendo de acordo com expectativas que absorveu anos atrás e nunca questionou: “Se você atrela seu valor interno à validação externa, viverá com ansiedade crônica.”
Uma fonte dessa ansiedade: você frequentemente internaliza expectativas irreais de clientes e chefes exigentes e passa a se cobrar um nível mais alto do que realmente é exigido.
“Eles esperam excelência de você, e isso é uma pressão real”, diz Anderson. “Mas não confunda excelência com perfeição.”
Claro, suas conquistas importam, ela diz, “mas você não é sua conta bancária. Você não é seus prêmios.”
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